NANA CAYMMI EM RIO SONATA

NANA CAYMMI EM RIO SONATA

(Rio Sonata: Nana Caymmi)

2010 , 85 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 21/04/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Georges Gachot

    Equipe técnica

    Produção: Georges Gachot

    Fotografia: Matthias Kälin, Pio Corradi

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Antônio Carlos Jobim, Dorival Caymmi, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, João Donato, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Nana Caymmi

  • Crítica

    19/04/2011 12h34

    “As pessoas dizem que sou cantora de bossa, mas é mentira. Não gosto de ser rotulada, não canto só bossa nova”. Esta é uma das interessantes afirmações da interprete Nana Caymmi no documentário Nanna Caymmi em Rio Sonata, do franco-suíço Georges Gachot.

    Verdade seja dita, a pulsão do filme está quase exclusivamente na personagem, em sua música e afirmações. Gachot tenta criar uma relação da música de Nana com a cidade do Rio de Janeiro, com a qual a cantora é inteiramente identificada. Às vezes dá certo e surge uma poesia; outras, o efeito não emociona. Irregularidade comum a documentários musicais que tentam buscar uma poesia da cidade, mas dependem demais do personagem – como Um Homem de Moral , documentário sobre Paulo Vanzolini.

    No desenrolar do filme, Gachot (Maria Bethânia – Música é Perfume) aspira criar um movimento musical tendo como personagens a cantora e o Rio. Mesmo assim, o interessante do filme é a música e a relação de Nana Caymmi com ela.

    Aí surgem temas interessantes. A distância da Tropicália (“se alguém sentar aqui e me explicar o que foi isso eu posso até tentar entender”), apesar de ter sido casada com Gilberto Gil entre 1966 e 67 e ter amizade com Maria Bethânia. Dessa frase é possível entender, por exemplo, como Nana, a intérprete, passou incólume às mudanças dos anos 60 e 70. O baião se uniu ao rock, a contracultura foi a resposta artística à ditadura militar, mas a obra de Nana passou à parte disso.

    Pena que Nana Caymmi em Rio Sonata não investe em qualquer tipo de questionamento frente a sua personagem: um filme-reverência que se nega a conectar o Brasil à Nana. A artista é apresentada numa espécie de bolha: o filme explica seu universo, a importância do silêncio para Nana, as relações fraternas entre outros compositores (João Donato e Nelson Freire) e a função-chave de Dori Caymmi, o irmão, em sua carreira.

    Por ser uma grande intérprete, é difícil o espectador ficar indiferente com interpretações de Não se Esqueça de Mim (Erasmo e Roberto Carlos), Sem Você (Tom e Vinicius), Bom Dia (Nana e Gil), Reposta ao Tempo (obra-prima escrita por Aldyr Blanc e Cristovão Bastos e recentemente regravada por Milton Nascimento) e muitas outras canções.

    Mas Nana Caymmi em Rio Sonata só consegue criar efeito quando tem ou os comentários irônicos de sua personagem na tela ou sua música dando o tom. De resto, um documentário musical a repetir equívocos de outras produções do gênero.

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