NÃO ME ABANDONE JAMAIS

NÃO ME ABANDONE JAMAIS

(Never Let Me Go)

2010 , 107 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 18/03/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mark Romanek

    Equipe técnica

    Roteiro: Alex Garland

    Produção: Alex Garland, Allon Reich

    Fotografia: Adam Kimmel

    Trilha Sonora: Rachel Portman

    Estúdio: DNA Films, Film4

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Andrew Garfield, Carey Mulligan, Charlotte Rampling, Ella Purnell, John Gillespie, Keira Knightley, Robert Harrison O'Neil, Sally Hawkins

  • Crítica

    16/03/2011 13h30

    Em 1952, desenvolveu-se a cura para todas as doenças. E em 1967 a expectativa de vida é de 100 anos. Estas informações se destacam logo nos letreiros iniciais de Não Me Abandone Jamais. É acreditar ou não. É embarcar na premissa e apreciar um belíssimo filme, ou questionar e fechar o coração.

    Tudo gira em torno de três crianças/jovens que estudam numa tradicionalíssima escola inglesa: Ruth, Kathy e Tommy, interpretados respectivamente por Carey Mullingan, Keira Knightley e Andrew Garfield quando chegam à idade adulta. O lugar é administrado com rigor pela diretora Emily (Charlotte Rampling). Quando uma nova professora, mais jovem, chega à escola com ideias menos convencionais, logo desenhamos em nossa mente a continuidade do filme: ele será uma espécie de Sociedade dos Poetas Mortos, que glorificará os valores de criação e liberdade em detrimento ao obscurantismo da opressão.

    Quem pensou assim – e eu pensei – não poderia estar mais errado. Não Me Abandone Jamais segue por caminhos totalmente diferentes, suprepreendentes, e com extrema delicadeza e paixão se dedicará à discussão de um tema dos mais difícieis: a finitude da vida. Ou, mas especificamente neste caso, a brevidade desta mesma vida.

    O refinado roteiro de Alex Garland (autor do livro que originou o filme A Praia) parte do caldeirão de ideias perturbadoras propostas pelo romance do escritor japonês radicado na Inglaterra Kazuo Ishiguro, o mesmo que escreveu Vestígios do Dia. E, correndo o risco de ser preconceituoso, só mesmo de uma brilhante mente oriental poderiam sair conceitos ao mesmo tempo tão poéticos e inquietantes sobre vida e morte.

    É dos mais crueis o conceito de morte que ronda os protagonistas do filme. Até nos darmos conta que, como eles, todos iremos nos encontrar com ela. Assim como em Blade Runner, tudo seria apenas uma questão de quando. Mas Ishiguro vai mais longe, jogando a ideia de que os “piores” estão aqui somente para servir os “melhores”. E quem definiria esta escala de valores? Nossos ancestrais. Quem é, de acordo com a personagem Ruth, “moldado pela escória”, não tem escolha. Faz lembrar o conceito de “Pecado Original” defendido pela igreja cristã, onde todos nós já nasceríamos pecadores por definição, “culpa” de Adão e Eva. Que fardo!

    De passagem, o filme ainda abre um novo viés de discussão sobre a inutilidade da arte que, segundo a diretora Emily, serviria apenas para verificarmos se existe alma ou não.

    É melhor não dizer mais nada, para não estragar as surpresas do filme. Quem quiser ter seu prazer arruinado, basta ver o ridículo trailer que está rodando por aí, que faz uma espécie de “resumão de vestibular” dos trechos mais importantes da obra. Incluindo seu final.

    O turbilhão de sentimentos de Não Me Abandone Jamais, que instiga o espectador em sua poltrona, é dirigido por Mark Romanek (de Retratos de um Obsessão) da maneira mais europeia possível: calma, sensível, introspectiva, sem pressa. E olha que o cara é americano! E olha que ele está acostumado a dirigir clipes e documentários com grandes astros do pop rock!

    Registram-se apenas dois pequenos senões no filme: o uso excessivo da trilha sonora e das narrações em off. Nada, porém, que tire a sensação de “cadê meu chão?” que fica após a projeção.

    Não Me Abandone Jamais foi o vencedor do prêmio de Melhor Atriz (Mullingan) e indicado a Filme, Diretor, Roteiro, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante do British Independent Film Awards.

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