NÃO POR ACASO

NÃO POR ACASO

(Não Por Acaso)

2006 , 102 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 07/06/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Philippe Barcinski

    Equipe técnica

    Roteiro: Eugênio Puppo, Fabiana Werneck Barcinski, Philippe Barcinski

    Produção: Andréa Barata Ribeiro, Bel Berlinck, Cláudia Büschel, Donald Ranvaud, Fernando Meirelles

    Fotografia: Pedro Farkas

    Trilha Sonora: Antonio Pinto

    Estúdio: O2 Filmes

    Elenco

    Branca Messina, Cássia Kiss, Graziella Moretto, Leonardo Medeiros, Letícia Sabatella, Rita Batata, Rodrigo Santoro, Silvia Lourenço

  • Crítica

    07/06/2007 00h00

    Estréia de Philippe Barcinski na direção de um longa-metragem após currículo com premiados curtas, Não Por Acaso é uma obra capaz de dialogar muito bem a cidade de São Paulo. Aqui, a metrópole é elemento vital para a intersecção das tramas desenvolvidas neste projeto, resultado de cinco anos de trabalho.

    Não Por Acaso mostra os dramas de dois personagens, unidos por um acidente de carro que muda completamente a rotina de ambos. Primeiramente, temos Ênio (Leonardo Medeiros). Ele é um engenheiro de trânsito que, operando sinais, busca comandar o fluxo dos automóveis da cidade de São Paulo. Ele se acostumou a uma rotina solitária, tanto na vida profissional quanto na pessoal, mas o encontro com a filha, Bia (Rita Batata), faz com que ele se sinta sem o controle de tudo. O outro protagonista, Pedro (Rodrigo Santoro), é dono de uma marcenaria especializada na construção de mesas de sinuca. Meticuloso, possui uma visão bastante controladora do jogo de sinuca, mesmo sabendo que os lances também dependem dos adversários. Sua namorada, Teresa (Branca Messina), acaba de se mudar para seu apartamento, alterando a rotina do casal.

    O roteiro de Não Por Acaso, assinado pelo diretor, Fabiana Werneck Barcinski e Eugênio Puppo, trabalha muito bem as tramas paralelas, que se apresentam de forma bem-resolvida. No entanto, as atuações rasas fazem com que o longa-metragem perca em carga dramática, exceto pelos protagonistas - Medeiros e Santoro -, que conseguem mostrar muito bem os dramas pelos quais passam seus personagens. A forma como a cidade de São Paulo dialoga com a trama e os personagens é muito bem desenvolvida; o trânsito age em suas vidas de uma forma que somente quem vive no caos urbano consegue entender. A questão de tramas paralelas se cruzarem numa grande cidade por meio de um acidente automobilismo lembra muito filmes como 21 Gramas e Amores Brutos, dirigidos por Alejandro González Iñárritu, mas as semelhanças param por aí: existe um distanciamento gelado em Não Por Acaso que não está presente nos filmes do mexicano. Essa frieza está relacionada à forma como os protagonistas são capazes de se relacionar com o mundo ao seu redor.

    Aqui, Barcinski mostra que compreende como uma cidade como São Paulo é capaz de modificar destinos, tanto no sentido do trânsito, do ir e vir, quanto nas vidas de quem habita o lugar. Apesar da falta de ritmo e a trilha sonora que não funciona muito bem para garanti-lo, esta relação criada entre os personagens e a cidade é o grande atrativo de Não Por Acaso.

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