NÃO SE PREOCUPE, NADA VAI DAR CERTO

NÃO SE PREOCUPE, NADA VAI DAR CERTO

(Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo)

2011 , 99 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 05/08/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Hugo Carvana

    Equipe técnica

    Roteiro: Paulo Halm

    Produção: Martha Alencar Carvana

    Fotografia: Lauro Escorel

    Trilha Sonora: Edu Lobo, Paulo César Pinheiro

    Estúdio: Globo Filmes

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Ângela Vieira, Flávia Alessandra, Gregório Duvivier, Herson Capri, Mariana Rios, Tarcísio Meira

  • Crítica

    27/07/2011 23h00

    Durante entrevista realizada em 2002, em edição do Festival de Gramado na qual apresentava o filme Apolônio Brasil, Hugo Carvana disse a este jornalista, entre baforadas no seu inseparável charuto, que um de seus orgulhos como diretor era saber que o público já sabe o que esperar quando se anuncia um filme seu. Ele se referia ao tom alegre e bem-humorado que permeia suas produções e ao perfil de seus personagens centrais: boêmios românticos com uma irresistível vontade de viver a vida. De fato, em Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo é possível identificar o estilo Carvana de fazer filmes, mas desta vez as coisas não deram certo. E o motivo é simples: num filme que se pretende engraçado, falta humor (de qualidade). E se isso acontece, falta tudo.

    A produção narra as desventuras de dois atores mambembes, Lalau (Gregório Duviver) e Ramon Velasco (Tarcísio Meira, de volta às telonas após 21 anos de ausência), filho e pai. Eles circulam pelo interior do país numa Kombi, atuando em pequenos teatros e praças públicas. A trama tem início quando Lalau recebe a proposta irrecusável para fingir ser um guru internacional em visita ao Brasil. Sem saber, acaba envolvido numa história de desvio de dinheiro e assassinato. Para salvá-lo da confusão e colocá-lo em outras, entra em cena seu pai, misto de ator e trapaceiro que engrossa a renda valendo-se de pequenos golpes.

    Os dois personagens centrais servem ao propósito claro de Carvana (também autor do roteiro), de fazer uma homenagem ao ofício de ator. Em Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo eles atuam pelo prazer de atuar, são românticos incorrigíveis e levam a vida de forma descompromissada. Ao final de uma carreira, podem estar num quarto do Retiro dos Artistas – como o personagem interpretado por Carvana – saudosistas de seus tempos áureos no exercício da profissão e realizados, mesmo diante das dificuldades.

    Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo é um filme tão descompromissado quanto tais personagens. Seu pecado, no entanto, está no humor descompassado. Carvana mantém seu estilo inconfundível de trabalhar com grande variedade de tipos, mas erra a mão ao resvalar no caricato, no exagero e até no mau gosto. Ator em filmes-chave do Cinema Novo, como Os Fuzis e Terra em Transe, ao se tornar diretor decidiu seguir a senda do humor deliberado, evocando seu início de carreira como figurante de chanchadas. Desta vez, não deu certo. O filme não chega a afrontar a dignidade do público como algumas comédias brasilerias recentes. Nem mesmo chega a cansar. Antes das piadas que realmente funcionam – são poucas - começarem a perder força o filme acaba. Pelo menos isso.

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