Pôster de Nebraska

NEBRASKA

(Nebraska)

2013 , 110 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 14/02/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alexander Payne

    Equipe técnica

    Roteiro: Bob Nelson

    Produção: Albert Berger, Ron Yerxa

    Fotografia: Phedon Papamichael

    Trilha Sonora: Mark Orton

    Estúdio: Blue Lake Media Fund, Bona Fide Productions, Echo Lake Productions

    Montador: Kevin Tent

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Angela McEwan, Bob Odenkirk, Bruce Dern, Dennis McCoig, Devin Ratray, Elizabeth Moore, Eula Freudenburg, Gelndora Stitt, Jeffrey Yosten, John Reynolds, June Squibb, Kevin Kunkel, Mary Louise Wilson, Missy Doty, Neal Freudenburg, Rance Howard, Ronald Vosta, Stacy Keach, Tim Driscoll, Will Forte

  • Crítica

    13/02/2014 16h17

    Por Daniel Reininger

    Nebraska é uma história melancólica sobre um passado esquecido e muitas vezes considerado irrelevante. O clima nostálgico é garantido pela ambientação, o centro-oeste rural norte-americano, ótima trilha de country clássico de Mark Orton, e elenco sem grandes astros, mas capaz de entregar atuações impactantes, como a de Bruce Dern.

    A fotografia em preto e branco pinta um retrato perfeito da vida simples do interior dos Estados Unidos. Nesse cenário, Woody Grant (Dern) acaba de ganhar um milhão de dólares. Para retirar o prêmio, precisa viajar até Lincoln, Nebraska. Sem carro, tenta ir a pé até lá saindo de Billings, Montana. O idoso anda poucos quilômetros antes de ser pego pela polícia e levado para casa por seu filho, David, interpretado de forma segura por Will Forte.

    + Woody Grant é a representação perfeita da figura do louco

    Embora sua mãe Kate (June Squibb) e o irmão Ross (Bob Odenkirk) acreditem que Woody precise ir para um asilo, afinal só ele não percebe que o prêmio é um golpe de uma agência publicitária, David opta por ajudar o pai. O que se segue é, como muitos dos filmes de Alexander Payne (Os Descendentes), um road movie com belas cenas e revelações lentas e profundas sobre os personagens.

    O roteiro de Bob Nelson arranca risos simplesmente por mostrar a realidade da vida familiar, sem forçar situações. Quando conhecemos os parentes distantes de Woody e David, eles estão assistindo televisão de forma desinteressada. Em seguida, começa uma incomoda sessão de perguntas, fofocas e histórias antigas. Os silêncios constrangedores revelam tanto sobre os personagens como as perguntas contundentes e refletem a realidade da maioria das pessoas que ficam anos sem se ver.

    Bruce Dern está perfeito no papel que anteriormente foi oferecido a Gene Hackman, mas que ganha força ao ser interpretado por alguém menos famoso. O visual desgrenhado e distante de Woody transmite de forma plena a decepção de alguém incapaz de viver de acordo com suas próprias expectativas. O ator não exagera na atuação e toda tristeza e indignação são mostradas de forma sutil, sempre flertando com a loucura, sem nunca ceder totalmente a ela.

    Payne é capaz de alternar o tom cômico e triste, sempre com cuidado para não cair no sentimentalismo barato. Eventualmente, David para na cidade natal de Woody, onde, aos poucos, descobre quem é realmente seu pai, ao ouvir histórias do passado. Ele entende melhor a situação do veterano, com quem se identifica mais do que esperava e surpreende-se ao perceber que ele não é apenas um alcoólatra senil.

    A fotografia impactante é crucial para contar a jornada de pai e filho. Closes reforçam as reações dos atores e são alternados com ângulos abertos para mostrar a imensidão do meio-oeste. Efeitos como transições, fusões e fades trazem de volta a nostalgia de técnicas clássicas do cinema - hoje em desuso - e, como linguagem, reforçam o discurso de passado perdido estabelecido pelo roteirista Bob Nelson.

    Payne realmente consegue criar uma grande obra com tons góticos e poéticos sobre os Estados Unidos pós-recessão. Não é somente pelo visual, trilha sonora e atuações que Nebraska precisa ser visto, mas também pela chance de rever uma forma cada vez mais rara de fazer filmes. Ao mesmo tempo, é a chance de assistir a um conto divertido sobre oportunidades fugazes da vida e desafios de conviver com pessoas que amamos.

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