NEM GRAVATA NEM HONRA

NEM GRAVATA NEM HONRA

(Nem Gravata Nem Honra)

2001 , 70 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcelo Masagão

    Equipe técnica

    Roteiro: Marcelo Masagão

    Produção: Marcelo Masagão

    Fotografia: Luiz Duva

    Trilha Sonora: André Abujamra

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Depois de roteirizar, produzir e dirigir o marcante Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos, o cineasta Marcelo Masagão acerta novamente e realiza mais um excelente documentário: Nem Gravata, Nem Honra.

    Usando o cinema como gancho inicial, Masagão abre seu filme com o depoimento do dono de uma videolocadora: “Os homens preferem aventura e ação e as mulheres gostam mais de romance”, afirma. A partir daí, Nem Gravata, Nem Honra inicia por meio de entrevistas e depoimentos seu processo de dissecação sobre quais seriam as diferenças básicas entre homens e mulheres. Psicólogos, sociólogos, sexólogos, professores... eles não têm vez nem voz no filme. O cineasta prefere conversar com gente do povo, cabeleireiros, doceiras, lavradores. Todos eles moradores da pequena cidade de Cunha, no interior paulista, um lugar “com um cinema e três igrejas” como informam os letreiros iniciais do documentário. Os depoimentos vão do riso ao nó na garganta com extrema desenvoltura. Uma dona de casa afirma que as mulheres são mais inteligentes porque têm dois neurônios, enquanto os homens só têm um. Um motorista de táxi diz que tem muita mãe que não faz pelos filhos o que sua esposa faz por ele. Um mecânico afirma que se separou de sua mulher – médica – porque prefere manter amizades com a classe baixa. E assim por diante, num verdadeiro turbilhão de sinceridade. É impressionante, por sinal, a forma como a equipe do filme consegue deixar seus entrevistados à vontade.

    Mais que os depoimentos em si – que sozinhos já justificariam a qualidade de Nem Gravata, Nem Honra -, Masagão ainda interfere com caracteres, legendas e inscrições que pontuam as falas de maneira inteligente e bem-humorada. E a exemplo do que já havia acontecido em Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos a trilha sonora de André Abujamra tem participação decisiva na narrativa.

    No final, uma nova referência ao prazer de se ir ao cinema fecha o filme com chave de ouro. Para quem ainda tem preconceito e torce o nariz para a palavra “documentário”, Nem Gravata, Nem Honra pode ser um divisor de águas.

    26 de março de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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