NINA

NINA

(Nina)

2004 , 83 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Heitor Dhalia

    Equipe técnica

    Roteiro: Heitor Dhalia, Marçal Aquino

    Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane

    Fotografia: José Roberto Eliezer

    Trilha Sonora: Antonio Pinto

    Estúdio: Gullane Filmes

    Elenco

    Chris Couto, Guilherme Weber, Guta Stresser, Juliana Galdino, Lázaro Ramos, Maria Luísa Mendonça, Matheus Nachtergaele, Myrian Muniz, Renata Sorrah, Sabrina Greve, Selton Mello, Wagner Moura, Walter Portela

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O que é a mente humana? O que faz com que ela seja sã? Afinal, o que é uma pessoa sã? Uma pessoa que age de acordo com o que a sociedade espera ou de acordo com seu mundo interior e o que ele precisa? Pessoas ordinárias agem de acordo com a sociedade; as extraordinárias não. Nina, estréia genial de Heitor Dhalia, parte dessa premissa ao atualizar essa teoria feita por Raskólnikov, personagem de Crime e Castigo, clássico da literatura escrito por Dostoievski. Nina, no entanto, não é uma adaptação do clássico do escritor russo. Digamos que a história desse livro inspirou Dhalia e Marçal Aquino, o roteirista, a escreverem este filme.

    Aqui, a protagonista é exatamente a Nina do título, vivida por Guta Stresses em atuação brilhante. Ela é uma jovem que transita nas ruas sujas do centro da cidade de São Paulo. Com um emprego medíocre, ela mora em um quarto alugado por Dona Eulália (Myriam Muniz), uma velha mesquinha e nojenta. Não bastando estar sozinha em uma cidade que te esmaga a cada minuto (e só quem vive nela sabe do que estou falando), Nina ainda (sobre)vive em uma casa onde a senhoria é, literalmente, uma bruxa: coloca etiquetas com seu nome dos alimentos da geladeira, viola suas cartas e rouba o dinheiro que a mãe de Nina manda, entre outras coisas. O único lugar onde Nina se sente livre é em seu quarto, quando faz seus desenhos. Esse é seu mundo e, dentro dele, ela começa a se perder e idealiza o assassinato de sua inquilina como única forma de se libertar. Nina passa a ficar completamente descontrolada, percebendo que, de fato, poucas pessoas realmente se importam com ela.

    Poucas palavras podem descrever esse primeiro trabalho de Heitor Dhalia. "Brilhante" pode ser uma delas. Nina é daqueles poucos filmes que tocam o espectador de forma a fazer com que ele realmente pense em tudo aquilo que é apresentado na tela. A fotografia, sombria, retrata com perfeição o mundo escuro no qual vive Nina. Seus delírios violentos ganham vida nos animes desenhados por Lourenço Mutarelli, um dos mais respeitados artistas de histórias em quadrinhos do Brasil. São inserções tão pertinentes quanto os sonhos de Nina, pincelados por bizarrice semelhante à encontrada nos filmes de David Linch. Não à toa, o trabalho de Dhalia foi comparado com o de Lynch em muitos dos festivais internacionais por onde Nina passou.

    Nina é um retrato da crueza da cidade grande. A personagem nos mostra como podemos nos perder e sermos esmagados por um mundo de delírio, capaz de ser criado somente pela mente humana. O filme é muito mais do que uma atualização de Crime e Castigo, é uma nova história que recicla todos os conceitos morais e éticos apresentados por Dostoievski em seu clássico.

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