NINE

NINE

(Nine)

2009 , 119 MIN.

14 anos

Gênero: Musical

Estréia: 29/01/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rob Marshall

    Equipe técnica

    Roteiro: Anthony Minghella, Michael Tolkin

    Produção: Harvey Weinstein, John DeLuca, Marc Platt, Rob Marshall

    Fotografia: Dion Beebe

    Trilha Sonora: Maury Yeston

    Estúdio: The Weinstein Company

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Daniel Day-Lewis, Elio Germano, Giuseppe Cederna, Judi Dench, Kate Hudson, Marion Cotillard, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Sophia Loren, Stacy Ferguson (Fergie)

  • Crítica

    01/02/2010 18h16

    Nine nasceu fadado à inferioridade, posto que é inspirado em 8 ½, de Federico Fellini, mas é dirigido por Rob Marshall. Tudo muito bonito, visual, movimentado, pintado, maquiado, mas oco. Puramente oco.

    A principal razão é que o diretor norte-americano apostou no espetáculo (ah, coisas que só a Broadway faz por você) e se esqueceu do cinema. Aquele diretor cheio de medo e angústias (Marcello Mastroiani no filme original) virou um parasita que, por mero detalhe, é cineasta, mas perde boa parte de seu tempo administrando sete mulheres.

    Guido Contini, o tal diretor em crise criativa, só não é um desastre porque é interpretado por Daniel Day-Lewis (Sangue Negro). Sua rotina é perder-se com a mulher (Marion Cotillard), a amante (Penélope Cruz), a mãe (Sophia Loren), a musa (Nicole Kidman), a figurinista fiel (Judi Dench), a primeira prostituta (Fergie) e a jornalista sedutora (Kate Hudson).

    O que Nine se apropria de maneira decente do universo felliniano é o onírico, o sonho, o imaginário. O roteiro, escrito por Michael Tolkin e Anthony Minghella, embaralha o passado e o presente, o real e o imaginário, a verdade e a fantasia. Guido é adulto e criança, tudo ao mesmo tempo, em um universo desorganizado.

    Porém, Rob Marshall erra feio ao inserir glamour e luxo a esse mundo, um corpo estranho a Fellini. Reflexo de tempos que colocam o espetáculo em primeiro lugar, gesto que o cinema norte-americano domina como nenhum. O circo não é mais lugar de palhaços, mas de ridículos.

    Fergie berra “seja italiano”. Mas, o que é ser italiano? Andar com passos marcados, berrar, usar plumas, vestir um vermelho sedutor? E Kate Hudson desfilando em uma passarela com uma saia curta brilhante aos cantos de “eu amo o cinema italiano”? O que achariam De Sica, Pasolini, Visconti, Tornatore e Damiani sobre o que é o cinema italiano na visão de Marshall?

    Claro que as sequências musicais são animadas, com dezenas de extras, movimentos arrojados de câmera e boa performance musical das atrizes/cantoras. Mas não são inseridas organicamente à trama. Elas dizem o estado dos personagens, mas não são fundamentais para acompanharmos o desenvolvimento de Nine. Falha do roteiro: Marshall dirige cenas espalhafatosas, mas esquece de amarrá-las em função da trama e não atirá-las só como um momento de diversão.

    Se Rob Marshall não tivesse filiado seu filme a 8 ½, seria um musical do estilo Marshall, ou seja, competente. Conectar sua superprodução a Fellini é pedir que todas suas limitações como diretor de cinema (não como coreógrafo) sejam explicitadas quadro a quadro.

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