Pôster oficial do filme Ninfomaníaca

NINFOMANÍACA

(Nymphomaniac)

2013 , 118 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia: 10/01/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lars von Trier

    Equipe técnica

    Roteiro: Lars von Trier

    Produção: Bert Hamelinck, Bettina Brokemper, Louise Vesth, Maj-Britt Paulmann, Marianne Jul Hansen, Marianne Slot, Marie Cecilie Gade, Peter Aalbæk Jensen, Peter Garde, Sascha Verhey

    Fotografia: Manuel Alberto Claro

    Estúdio: Zentropa Entertainments

    Montador: Molly Marlene, Stensgaard

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Charlotte Gainsbourg, Christian Slater, Connie Nielsen, Jamie Bell, Jean-Marc Barr, Mia Goth, Michäel Pas, Shia LaBeouf, Sophie Kennedy Clark, Stacy Martin, Udo Kier, Uma Thurman, Willem Dafoe

  • Crítica

    08/01/2014 16h54

    Falar do novo e esperado longa do dinamarquês Lars von Trier não é fácil. E isso nada tem a ver com a temática sexual do filme. A contrariedade vem do fato de ter visto somente metade da produção. Meio filme de um corte supostamente censurado do original que ultrapassaria cinco horas de duração.

    Não se sabe ao certo porque a versão integral não está indo para as telas. Trier aprovou a edição reduzida, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto. Talvez o original não tenha sido considerado viável comercialmente. Talvez estivesse apenas longo demais sem necessidade de sê-lo. As dúvidas só servem para atiçar o interesse do público. E o cineasta, marqueteiro que é, sabe aproveitar isso.

    O volume 1 de Ninfomaníaca chega às telas galvanizado por uma eficiente campanha de marketing. Está todo mundo cheio de tesão para assistir ao pornô-cabeça do diretor. Vai aqui um balde d'água fria, daqueles de separar cachorro, no fogo dos espectadores incautos. Ninfomaníaca é a antítese da excitação erótica. E, acredite, esse é um dos méritos do filme.

    A ninfomania é uma disfunção sexual e é assim que é tratada no longa. A personagem principal não é alguém que vai te deixar constrangido tentando esconder uma ereção na sala de cinema. E começamos a notar isso logo que a vemos iniciar sua vida sexual.

    O que poderia ser mais anticlímax que misturar sexo e matemática? Sua primeira vez é narrada em números de estocadas: tantas na frente e outras tantas atrás e o serviço está feito. Para deixar a coisa ainda mais perturbadora - e menos excitante -, o cineasta transforma a tela num grande e inquietante quadro negro.

    Enquanto Joe - este é o nome de nossa pobre escrava do desejo sexual - é violada por seu primeiro homem (Shia LaBeouf), a contabilidade de sua primeira transa é exposta na tela com recursos gráficos. 1, 2, 3... hímen rompido. Ela vira-se de bruços, ele a penetra por trás. Ela suporta resignada, apática até.

    Não há tesão, não há romance. A personagem parece livrar-se de um mal, a virgindade. Suas "portas" estão devidamente abertas para uma vida de promiscuidade. Esses e outros episódios sexuais são narrados por Joe (Charlotte Gainsbourg) em flashback para Seligman (Stellan John Skarsgård), um desconhecido que a acha jogada na rua, desacordada e ferida.

    Ela vai construindo com sua narrativa pormenorizada, e sempre pautada pelo sexo, a jornada que a levou àquela situação. Ele, por sua vez, não a julga. Apaixonado por pesca, traça paralelos entre as artimanhas para atrair peixes e as técnicas usadas por Joe para seduzir os machos que vai abatendo pelo caminho. Outras analogias virão, como quando ele associa o comportamento libertino da moça a uma composição de Bach.

    Joe é uma predadora sexual e os homens são meros objetos manipuláveis a seu bel prazer. Sua conduta é de psicopata, sem qualquer tipo de sentimento ou remorso. O único homem que a faz demonstrar emoção é o pai (Christian Slater). O ápice de sua indiferença se dá numa das melhores cenas dessa primeira parte, quando tem de lidar com uma mulher traída vivida por Uma Thurman. Um breve alívio cômico para um filme pesado.

    Seguimos o périplo sexual da moça até que de repente sobem os créditos. Diferente de outras produções divididas em capítulos, o volume 1 de Ninfomaníaca não tenta fechar um ciclo. O corte é abrupto e fica a sensação de ter-se abandonado um filme pelo meio. E esta metade não parece dar sustentação para mais duas horas de projeção se as coisas seguirem na mesma toada.

    Lars von Trier, no entanto, é um diretor talentoso e pode surpreender. Preciso assistir ao resto de Ninfomaníaca para saber.



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