NINGUÉM ESCREVE AO CORONEL

NINGUÉM ESCREVE AO CORONEL

(El Coronel no Tiene Quien le Escriba)

1999 , 117 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Arturo Ripstein

    Equipe técnica

    Roteiro: Paz Alicia Garcia Diego

    Produção: Jorge Sánchez

    Fotografia: Guillermo Gran

    Trilha Sonora: David Mansfield

    Elenco

    Daniel Giménez Cacho e Julián Pastor, Ernesto Yáñez, Esteban Soberanes, Fernando Luján, Marisa Paredes, Odiseo Bichir, Patricia Reyes Spíndola, Rafael Inclán, Salma Hayek

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Fãs do cinema de arte em geral e da produção latino americana em particular já se familiarizaram com o nome do cineasta mexicano Arturo Ripstein, diretor de Vermelho Sangue e de O Evangelho das Maravilhas, entre outros. Polêmico e hermético, Ripstein é um fiel discípulo de Luís Buñuel, o que torna seus filmes típicos representantes da linha "amá-los ou odiá-los". Neste seu 25o trabalho para o cinema, porém, Ripstein está mais "comportado", mais convencional e menos provocador.

    Baseado na obra de Gabriel García Márquez, o filme mostra o terrível estado de pobreza em que vivem o Coronel do título (Fernando Luján) e sua esposa Lola (Marisa Paredes, de vários filmes de Almodóvar). Ele, veterano do exército, aguarda há 27 anos uma pensão militar jamais recebida. Ela se agarra no jogo de aparências para ainda tentar manter acesa alguma chama da dignidade perdida. Para os dois, só resta uma esperança: Cristero, um galo de briga que pode render alguns trocados na rinha.

    Co-produzido por Espanha, França e México, Ninguém Escreve ao Coronel traz vários elementos típicos da cultura latino-americana: a corrupção, a eterna esperança de uma vida melhor, a hipocrisia da falsa religiosidade, e principalmente os jogos de interesses apoiados na manutenção da miséria alheia.
    Seu conteúdo dá margem a uma série de leituras e releituras sociais e políticas, como não poderia deixar de acontecer numa obra baseada em García Márquez. Porém, em termos formais, o filme não deixa de ser decepcionante: começa bem, abre espaço para um show de interpretação do casal central de atores, provoca uma empatia quase imediata com os personagens... e termina de repente, deixando no público um sabor de "quero mais".

    Mesmo assim, o filme foi muito bem recebido nos festivais de Cannes (onde concorreu como um dos favoritos à Palma de Ouro) e Sundance, no ano passado. Merece ser conferido pelos fãs do chamado cinema de arte.

    09 de outubro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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