NINGUÉM PODE SABER

NINGUÉM PODE SABER

(Dare mo shiranai)

2004 , 141 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Hirokasu Koreeda

    Equipe técnica

    Roteiro: Hirokazu Koreeda

    Produção: Hirokazu Koreeda

    Fotografia: Yutaka Yamasaki

    Trilha Sonora: Gontiti

    Estúdio: TV Man Union

    Elenco

    Ayu Kitaura, Hanae Kan, Hiei Kimura, Kazumi Kushida, Momoko Shimizu, You, Yukiko Okamoto, Yûya Yagira

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Ao final de projeção de Ninguém Pode Saber, minha primeira conclusão foi que este é, provavelmente, um dos filmes mais tristes que já vi. Por ser tão belo, contemplativo e triste, o longa dirigido por Hirokazu Kore-eda (do maravilhoso Depois da Vida) cumpre a função de tocar o coração do espectador como poucos.

    Trata-se da história de quatro crianças abandonadas pela mãe. O caso, não muito raro no Japão - ou mesmo em qualquer lugar do mundo -, toma ares especiais graças à direção intimista de Kore-eda. Akira (Yûya Yagira, melhor ator em Cannes) é o mais velho dos quatro. Tem doze anos. Seus irmãos são Kyoko (Ayu Kitaura), Shigeru (Hiei Kimura) e Yuki (Momoko Shimizu), todos de pais diferentes. Por criar seus filhos sozinha, Keiko (You) esconde de seus vizinhos os três mais novos para que não seja expulsa do apartamento que ocupam, como já aconteceu antes. Como a mãe passa o dia trabalhando, cabe a Akira a responsabilidade de zelar pelos irmãos e cuidar para que não sejam percebidos.

    Mas o fato das crianças viverem escondidas não é o maior drama do filme. Ele começa quando a mãe não volta à noite, entregando um bilhete para Akira com a recomendação de que cuide de todos enquanto ela está fora. Deixando uma pequena quantia em dinheiro, Keiko abandona seus quatro filhos. O irmão mais velho segue cuidando dos mais novos, saindo sempre para fazer compras e cozinhando para as crianças. Aos 12 anos e responsável por mais três pequenas vidas, Akira só se contenta em ler mangás nas prateleiras das lojas e a observar os outros garotos brincando nas casas de diversões eletrônicas simplesmente porque não pode se dar ao luxo de gastar o dinheiro da família com isso. Aos poucos, as crianças têm de aprender na marra como sobreviver sem a mãe e sem dinheiro.

    Kore-eda mostra de uma forma muito sutil e lúdica como as condições dessas crianças se degradam aos poucos. Com falta de pagamento, luz, água e gás são cortados. Sem limpeza, o apartamento se torna um verdadeiro chiqueiro. Sem água, as roupas e os cabelos das crianças estão cada vez mais sujos. Sem idade o suficiente para poder trabalhar, eles não têm mais como conseguir dinheiro e sobrevivem com a ajuda dos outros, especialmente da menina Saki (Hanae Kan). Aparentemente de família rica, prefere passar os dias ao lado das crianças a ficar em casa ou na escola.

    As condições das crianças de Ninguém Pode Saber ficam cada vez piores com o avanço da película, mas não os laços afetivos que os une. Por mais que estejam comendo até papel de tanta fome, não perdem o controle nem esquecem de seus irmãos na hora de dividir alguma comida que conseguem, e isso é o mais belo no filme. Por mais que tenham sido criados por uma mulher evidentemente desequilibrada - que, muito mais imatura do que seus próprios filhos, os abandona por causa de um novo namorado -, continuam unidos, lutando pela sobrevivência. A pergunta é: como essa mulher consegue abandonar quatro filhos tão perfeitos que, mesmo nunca tendo freqüentado a escola e passando a maior parte do dia sozinhos, são tão educados?

    É exatamente por isso que Ninguém Pode Saber é capaz de tocar tanto o coração do espectador. Pisando nesse tema, seria muito fácil fazer um daqueles enormes e chatos melodramas, mas a direção precisa de Kore-eda não deixa a peteca cair, mantendo a dignidade e a honestidade da produção à medida que seus acontecimentos caminham à tragédia. Dessa forma, é difícil segurar as lágrimas. As mais honestas possíveis.

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