NINHO VAZIO

NINHO VAZIO

(El Nido Vacío)

2008 , 91 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 30/01/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniel Burman

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniel Burman

    Produção: Anahí Berneri, Daniel Burman, Diego Dubcovsky, José María Morales

    Fotografia: Hugo Colace

    Trilha Sonora: Nico Cota, Santiago Río Hinckelmann

    Elenco

    Arturo Goetz, Carlos Bermejo, Cecilia Roth, Eugenia Capizzano, Inés Efron, Jean Pierre Noher, Oscar Martínez, Osmar Núñez, Ron Richter

  • Crítica

    30/01/2009 00h00

    O argentino Daniel Burman declarou em uma entrevista que sua maior influência foi François Truffaut (Jules e Jim, Uma Mulher Para Dois). Por conta de três filmes seguidos sobre família, foi identificado como o "radiografo da classe média argentina". Descendente de judeus, teve o humor de seus filmes comparado a Woody Allen.

    Mas pré-concepções sobre um diretor e sua obra nem sempre se confirmam. Ninho Vazio, novo longa de Burman, se apresenta com uma busca formal mais ousada e põe o pé do freio na abordagem de personagens que têm sérios problemas com a figura paterna. Talvez este seja seu filme mais francês.

    Se Truffaut foi sua maior influência, Ninho Vazio se parece muito mais com o baluarte da anti-Nouvelle Vague, Claude Lelouch. Ninguém, incluindo este que vos escreve, perguntou a Burman se ele assistira a Um Homem, Uma Mulher e tirou dele alguma inspiração. O fato é que, em ambos, há um olhar voyeur sobre a beleza feminina, tipicamente francês. Sem contar o título da história escrito pelo protagonista Leonardo (Oscar Martinez), um dramaturgo: Um Homem e Uma Mulher. Acrescenta-se à lista de semelhanças a obstinação de Leonardo em conquistar a garota, perseguição ilustrada por um jazz sistêmico.

    A família é o tema que mais persegue Burman. Desde Esperando Messias (2000), o diretor se aproxima do assunto. Se antes ele havia desenhado personagens que, antes de tudo, encarnam a figura paterna, desta vez o argentino apresenta um homem que também é pai. A ordem dos fatores altera, sim, o produto.

    Leonardo é um dramaturgo entre 50 e 60 anos. Com um ar meio blasé, observa o universo ao seu redor comentar suas peças e livros. Sua mulher, Martha (Cecília Roth), parece vestir a carapuça de mãe dedicada e esposa autoritária. Antes de eles serem pais, foram homem e mulher, marido e esposa. Com a saída de casa dos filhos, precisam reencontrar a força que os uniu.

    Como Burman, que também é roteirista do filme, não faz um cinema de colagens, há elementos da história cujos créditos devem ser atribuídos unicamente ao diretor. Entre eles, a fantasia e o universo dos sonhos envolto a Leonardo. O argentino põe um ponto de interrogação na cabeça do espectador alternando momentos realmente atravessados por seu protagonista com as próprias fantasias imaginadas. Mas, caro leitor, não se engane: ele não se rende ao uso barato de flashbacks. A divisão entre sonho e vivência é um pouco mais turva.

    Se em Abraço Partido ou As Leis de Família o diretor havia economizado na forma e apostado mais na história, em Ninho Vazio ele faz um movimento contrário. Burman joga suas fichas na trilha jazzística de Nino Cota para ilustrar as desventuras de seu protagonista e em uma fotografia elaborada, feita para encher os olhos.

    Mas, para um tipo de cinema em que o ponto forte é contar uma história, forma não pode prescindir de conteúdo. Afinal, Burman não é David Lynch - e nem se propõe. Acompanhar os desvarios de Leonardo é um prazer, mas há um certo vazio - talvez como ilustra o título - ao encerrarmos nosso olhar sobre ele. Uma sensação de prazer acompanhada por um sentimento de que "faltou algo". A mesma sensação ao assistir a seu "primo" francês, Um Homem, Uma Mulher.

    Ninho Vazio parece ter ficado na incômoda posição "em cima do muro". Não se rende às tradições do cinema narrativo mas também não se filia aos cinemas dos sonhos. Daniel Burman, que vinha se aproximando de uma narrativa mais linear, alça voo em um realismo fantástico que, dentro do que se convencionou chamar "novo cinema argentino", vai colocá-lo mais próximo de Lucrecia Martel e mais distante de Pablo Trapero.

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