No Olho do Tornado

NO OLHO DO TORNADO

(Into the Storm)

2014 , 89 MIN.

12 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 28/08/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Steven Quale

    Equipe técnica

    Roteiro: John Swetnam

    Produção: Todd Garner

    Fotografia: Brian Pearson

    Estúdio: Broken Road Productions, New Line Cinema

    Montador: Eric A. Sears

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Alycia Debnam-Carey, Arlen Escarpeta, Brandon Ruiter, Chris Brewster, Gino Borri, Jeremy Sumpter, Jon Reep, Kim Adams, Kyle Davis, London Elise Moore, Matt Walsh, Max Deacon, Nathan Kress, Richard Armitage, Sarah Wayne Callies, Scott Lawrence, Stephanie Koenig

  • Crítica

    28/08/2014 17h42

    Por Daniel Reininger

    Twister não é uma obra-prima, mas é divertido e tenso, bem diferente de No Olho do Tornado, que tenta imitar o sucesso de 1996 e, ao falhar, consegue apenas desviar da própria catástrofe... Por pouco. Muito pouco mesmo. Personagens sem graça, estilo found-footage desnecessário e cenas de destruição pouco empolgantes são apenas alguns dos fatores que atrapalham o filme de Steven Quale, cineasta que pretendia criar algo grandioso, mas esqueceu da tensão e do suspense.

    O CGI é impressionante de verdade, porém, No Olho do Tornado é incapaz de fazer o espectador se importar com os personagens, muito menos com as centenas de vidas perdidas de forma aleatória no caos da tempestade, que assusta pouco de fato. Fica ainda pior pela falta da trilha sonora de Van Halen (como Twister) ou qualquer outra igualmente memorável.

    A trama acompanha uma equipe de documentaristas que tenta chegar o mais próximo possível do fenômeno climático. Nesse grupo, o cineasta Pete (Matt Walsh, de Ted) e a cientista Allison (Sarah Wayne Callies, da série Walking Dead) estão sempre em conflito. A outra história é a de uma família, cujo pai, Gary (Richard Armitage, o Thórin Escudo-de-Carvalho, da trilogia O Hobbit), é um viúvo que cria dois filhos adolescentes de forma dura. A relação entre os três é tensa, mas a tempestade oferece a chance de redenção a todos, claro.

    Além de rasos, os personagens são estereotipados demais. Os irmãos trocam farpas, mas se amam, o filho ataca o pai por erros do passado, a cientista prova que sabe mais do que o chefe mandão e assim vai. Não basta o roteiro não ajudar, as atuações também são sofríveis, mesmo as de atores que já fizeram bons papeis, como Sarah Callies e Armitage. E olha que os adolescentes são ainda piores.

    Agora imagine esses personagens em situações óbvias, levados adiante por uma narrativa baseada em eventos convenientes. Os cinegrafistas estão no lugar certo na hora certa, os jovens resolvem visitar um galpão abandonado por azar, celulares funcionam apenas quando interessa. As coincidências não param. É como se um tornado épico não bastasse, é preciso da mão divina para direcionar todos para morte ou salvação. Nisso, até Sharknado faz melhor.

    Falando do fenômeno trash, momentos de comédias protagonizados por dois caçadores de tornados amadores e atrapalhados quebram a monotonia da superprodução, apesar de não combinarem com o ritmo do filme. São personagens que poderiam crescer se tivessem espaço em um filme mais leve e engraçado. Aqui, ficam apenas deslocados.

    Entretanto, o grande problema da produção é que a catástrofe em si decepciona. A fúria da mãe natureza está mais para uma leve irritação, pelo menos por boa parte do filme. A questão é que os tornados iniciais são desinteressantes e raros momentos empolgam de verdade. Pior, o único clichê que de fato era esperado (admita, você também esperava por isso), o de vacas voando, fica de fora. Decepção até aí.

    O longa só mostra seu verdadeiro potencial perto do final, quando fenômenos climáticos bizarros criam uma tempestade monstruosa. Objetos gigantescos arremessados ao ar empolgam, assim como a tensão dos protagonistas escondidos num abrigo inadequado para ventos de 500 Km/h, totalmente impotentes, apenas torcendo para aquilo tudo acabar. Nesse momento, a tensão é até capaz de humanizar esses personagens pelos quais ficamos indiferentes até então.

    O final quase salva o longa. Quase, pois mesmo aí existem momentos imperdoáveis, como a redenção de, não um, mas diversos personagens. E até Sharknado, que não virou um clássico trash à toa, faz isso de forma mais interessante.

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