NO VALE DAS SOMBRAS

NO VALE DAS SOMBRAS

(In the Valley of Elah)

2007 , 114 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/11/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paul Haggis

    Equipe técnica

    Roteiro: Mark Boal, Paul Haggis

    Produção: Darlene Caamano Loquet, Laurence Becsey, Patrick Wachsberger, Paul Haggis, Steve Samuels

    Fotografia: Roger Deakins

    Trilha Sonora: Mark Isham

    Estúdio: Blackfriars Bridge Films, NALA Films, Samuels Media, Summit Entertainment, Warner Independent Pictures (WIP)

    Elenco

    Arron Shiver, Babak Tafti, Barry Corbin, Brent Briscoe, Brent Sexton, Charlize Theron, Chris Browning, David Doty, David House, Devin Brochu, Frances Fisher, Glenn Taranto, Greg Serano, Hans Steckly, Jack Merrill, Jake McLaughlin, James Franco, James Haggis, Jason Patric, Jennifer Siebel Newsom, Jo Harvey Allen, Jonathan Tucker, Joseph Bertót, Josh Brolin, Josh Meyer, Kathy Lamkin, Loren Haynes, Matthew Page, Mehcad Brooks, Mike Hatfield, Pab Schwendimann, Pierre Barrera, Randall Adams, Rick Gonzalez, Roman Arabia, Sean Huze, Susan Sarandon, Tommy Lee Jones, Wayne Duvall, Wes Chatham, Zoe Kazan

  • Crítica

    30/11/2007 00h00

    No Vale das Sombras marca mais um trabalho de Paul Haggis na direção de um longa-metragem, após o aclamado Crash - No Limite (2004). E, mais uma vez, o diretor cutuca uma ferida aberta na sociedade norte-americana: se o filme de 2004 abordava o racismo, seu novo longa-metragem explora as conseqüências sociais e psicológicas da Guerra do Iraque nos cidadãos do país, não somente os que combatem no conflito, mas também na mente dos que ficam.

    Ao abordar várias histórias em torno do racismo em Los Angeles, Crash - No Limite traçava um painel mais amplo do que o diretor e roteirista pretendia; em sua nova produção, Haggis foca somente numa história para desenvolver o recorte que pretende dar no tema. Hank Deerfield (Tommy Lee Jones) é um ex-militar casado com Joan (Susan Sarandon). Ele recebe o telefonema de uma base militar no Estado do Novo México (EUA) informando que seu filho mais novo, Mike (Jonathan Tucker) chegou do Iraque, onde estava servindo, mas está desaparecido. Hank vai à cidade para procurá-lo, obtendo a ajuda da policial Emily (Charlize Theron), que se sensibiliza com a busca do pai, principalmente por ela mesma ter um filho pequeno.

    A busca dos personagens pelo paradeiro de Mike os leva a descobrir como os jovens norte-americanos voltam da Guerra do Iraque. Se num primeiro momento, eles resolvem servir o exército tendo na mente a idéia de heroísmo, do combate a um inimigo que lhes é apresentado à distância, no Oriente Médio, eles acabam encontrando a solidão e, principalmente, a barbárie. Hank, ele mesmo ex-militar e principal influência para que seus filhos tenham se alistado no exército norte-americano, parece não perceber isso desde o início; tendo acesso aos vídeos feitos pelo filho no Iraque, por meio de seu aparelho de celular, a verdade começa a se abrir para o pai. Aos poucos, sua personalidade metódica, austera e totalmente disciplinada - resquícios dos tempos de exército - torna-se mais relaxada, emocional.

    O nome original de No Vale das Sombras é No Vale de Elá e é relacionada à história bíblica de Davi e Golias; como o personagem principal conta em dado momento do filme, o pequeno Davi derrubou o gigante Golias nesse mesmo vale, da mesma forma que Hank, pequeno em comparação ao que quer combater e à verdade que busca, tenta vencer.

    Em comparação ao filme anterior, Haggis trabalha melhor as imagens, a sutileza e a grande carga dramática que elas podem passar ao espectador, mostrando maturidade como diretor. Ao concentrar-se somente numa história, o cineasta demonstra suas intenções de uma forma mais clara. O tema que aborda - o preocupante estado psicológico como os soldados voltam ao Iraque e as dificuldades que encontram ao se ajustar à sociedade - é pertinente atualmente e tem, aos poucos, deixado de ser tratado como tabu pelo cinema norte-americano.

    Além disso, o diretor também lida com a questão do machismo e preconceito sofrido pela personagem de Charlize Theron, que tenta se afirmar como profissional num ambiente totalmente masculino (não bastando a presença de uma base militar na cidade, ela ainda trabalha como detetive). O tema, polêmico e chocante em sua essência, é trabalhado de uma forma sutil e melancólica. Também graças às excelentes atuações de Lee Jones e Charlize, No Vale das Sombras torna-se um drama tocante, extremamente triste e, principalmente, necessário no momento sócio-político atual.

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