Pôster do filme Nós

NÓS

(Us)

2019 , 116 MIN.

16 anos

Gênero: Terror

Estréia: 21/03/2019

página inicial do filme
  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Jordan Peele

    Equipe técnica

    Roteiro: Jordan Peele

    Produção: Ian Cooper, Jason Blum, Jordan Peele, Sean McKittrick

    Fotografia: Mike Gioulakis

    Trilha Sonora: Michael Abels

    Estúdio: Monkeypaw Productions, QC Entertainment, Universal Pictures

    Montador: Nicholas Monsour

    Distribuidora: Universal Pictures Brasil

    Elenco

    Alessandro Garcia, Anna Diop, Cali Sheldon, Elisabeth Moss, Evan Alex, Kara Hayward, Lon Gowan, Lupita Nyong'o, Madison Curry, Nathan Harrington, Noelle Sheldon, Shahadi Wright Joseph, Tim Heidecker, Winston Duke, Yahya Abdul-Mateen II

  • Crítica

    21/03/2019 16h18

    Por Thamires Viana

    Quando lançou Corra! em 2017, Jordan Peele não fazia ideia de onde iria chegar com seu primeiro trabalho como diretor e roteirista de um thriller psicológico recheado de potentes críticas sociais. Foi do sucesso estrondoso de público à estatueta de Melhor Roteiro Original no Oscar do ano seguinte e isso o colocou entre os mais renomados diretores da atualidade. Agora, o norte-americano traz aos cinemas Nós, seu novo filme estrelado por Lupita Nyong'o e Winston Duke, que representa mais um passo gigante em sua carreira.

    A trama acompanha uma família que viaja para a casa de praia a fim de descansar do caos da rotina, mas passa a ser perseguida por cópias idênticas e perigosas que pretendem acabar com esse sossego. Inicialmente vemos que alguns traumas de Adelaide, a mãe vivida por Nyong'o, serão pontos de partida importantes para o decorrer da narrativa. E vai por mim, eles fazem toda a diferença.

    Em comparação com Corra!, o roteiro de Nós se mostra mais consistente e elaborado ao abordar uma crítica social por meio de um terror psicológico. Sua premissa parece "costurada" à análise estrutural proposta pelo diretor e isso fica claro no equilibrio que a trama mantém do início ao fim, trazendo diversos elementos que consolidam sua abordagem sobre os problemas enfrentados pela sociedade. 

    Peele demonstra ter criado ainda mais confiança em seu trabalho e traz um terror poderoso capaz de eliminar qualquer componente externo ou sobrenatural para causar arrepios no espectador. Assim como em seu primeiro trabalho, o diretor usa e abusa do semblante de seus protagonistas, olhar amedrontado, choro engasgado, gritos e tons de voz que impactam diretamente na relação do público com o horror proposto.

    Em termos de atuação, a escalação do elenco principal que compõe a família é excelente. Cada personagem possui um aprofundamento pessoal e garante ótimas cenas de confronto com suas cópias. A jovem atriz Shahadi Wright Joseph, que vive Zora, a filha mais velha da família, vem com uma força feminina importante no filme. Fugindo do esteriótipo mimado de uma adolescente, a garota se destaca quando assume o controle de situações perigosas.

    Nyong'o dá um show de talento variando radicalmente suas feições entre as personagens que vive. Quando sua cópia aparece, fica evidente o preparo da atriz para não deixar uma sobrepor a outra e confundir o espectador. Ambas se distanciam tanto em termos de personalidade que é fácil se esquecer que estão sendo interpretadas pela mesma atriz. Mais um Oscar para ela, Academia?

    Duke garante bons momentos de humor como Gabe, o paizão engraçado e um tanto quanto "bunda mole". Mesmo que faça por onde para se salvar, seu personagem arranca boas risadas quando se torna corajoso, mas quase sempre prefere deixar a ação nas mãos das mulheres. Outro destaque está no jovem Evan Alex, que vive o pequeno Jason. Em seu primeiro grande trabalho nos cinemas, o ator mirim parece ter ligado o Modo-Peele de causar medo e entrega uma ótima atuação, tornando-se um dos elementos chave no desenrolar da trama.

    Os personagens de Elisabeth Moss e Tim Heidecker também são ótimos componentes para o filme. Ao lado das filhas gêmeas, o casal Kitty e Josh Tyler é a mais caricata crítica à segregação racial. Ostentando carros de luxo e casa moderna, a família branca demonstra total carinho aos amigos negros, mas o gosto pela superioridade é explícita nos diálogos entre eles e mostrada de forma sagaz e irônica. 

    Nós é de fato um dos melhores filmes do ano e garante um misto de emoções ao espectador que vai, mais uma vez, se sentir preso à cadeira do cinema analisando uma criação da mente ácida e inteligente de Peele. Dando total liberdade para gerar diferentes interpretações, a produção vai criar longas discussões e fazer o público quebrar a cabeça para chegar em alguma que se aproxime do proposto pelo diretor. 

    É certeiro dizer que Nós é mais do que um filme de terror com potencial para amedrontar: É uma experiência que precisa ser vivida. 

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus