Nostalgia da Luz

NOSTALGIA DA LUZ

(Nostalgia de la Luz)

2010 , 90 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 26/02/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Patricio Guzmán

    Equipe técnica

    Roteiro: Patricio Guzmán

    Produção: Renate Sachse

    Fotografia: Katell Djian

    Trilha Sonora: José Miguel Tobar, Miguel Miranda

    Montador: Emmanuelle Joly, Patricio Guzmán

    Distribuidora: RioFilme/ Bretz

  • Crítica

    25/02/2015 16h16

    Patricio Guzmán trava há anos uma batalha para que o Chile não esqueça seu passado. Nostalgia Da Luz é mais um trabalho que dialoga com a redemocratização de seu país, cuja história é manchada por uma das ditaduras mais sangrentas do nosso continente.

    Em Nostalgia Da Luz, Guzmán viaja para o Deserto do Atacama, região em que grupos de astrônomos vindos do mundo inteiro reúnem-se para observar as estrelas. Mas o local também conserva os restos humanos - os de múmias, de exploradores e daqueles que ousaram enfrentar um local tão hostil. Lá, enquanto grandes telescópios tentam descobrir corpos celestes que possam explicar de onde viemos, um grupo de mulheres tenta encontrar seus parentes desaparecidos durante a ditadura. Foi no Atacama que esteve um dos campos de concentração mais sanguinários do regime.

    A justaposição entre essas mulheres, mutiladas pela falta dos corpos de seus familiares, e esses astrônomos procurando algo que nem bem conhecem, cria uma narrativa que aproxima passado e presente, mesclando o tempo do universo com o tempo histórico. Documentário ou manifesto, o trabalho exibido na seleção oficial do Festival de Cannes é, na verdade, inclassificável.

    Para o diretor, mais conhecido pela trilogia histórica A Batalha do Chile, há uma ligação entre essas duas atividades. Tanto os astrônomos como esse grupo de mulheres buscam uma conexão com o mundo em que vivem, algo que, defende, é feito através das nossas memórias. Astronomia e arqueologia, acredita ele, são variações da mesma busca, apenas uma está voltada para o céu enquanto a outra fixa seu olhar para a terra.

    A narração é feita pelo próprio diretor e por isso é extremamente pessoal. Com a ajuda de sua capacidade impressionante de entrevistador, Guzmán aposta em uma meditação poética, evocando não apenas suas memórias pessoais, sobretudo da infância, mas também as memórias coletivas do povo chileno

    Mas, os grandes personagens de Nostalgia Da Luz são Victoria e Violeta. Já na casa dos 70 anos, essas duas mulheres passaram os últimos trinta anos vasculhando o deserto em busca dos restos mortais de seus familiares. Victoria encontrou um pé de seu irmão e relata a experiência de, finalmente, poder estar diante da morte. Porque para nossa cultura, o encontro com o corpo morto traz a dor, mas também o conforto do fim.

    Encontrar os mais de 1400 presos políticos desaparecidos durante a ditadura Pinochet é, segundo o diretor, um necessário encontro com a história. "Só os que têm memória são capazes de viver no frágil tempo presente", defende. Descobrir onde estão esses restos mortais é, portanto, uma maneira de continuar vivendo, seja superando a dor, seja construindo um futuro menos sombrio.

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