Pôster de Nove Crônicas para um Coração aos Berros

NOVE CRÔNICAS PARA UM CORAÇÃO AOS BERROS

(Nove Crônicas para um Coração aos Berros)

2012 , 93 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 04/10/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gustavo Galvão

    Equipe técnica

    Roteiro: Cristiane Oliveira, Gustavo Galvão

    Produção: Gustavo Galvão

    Fotografia: André Carvalheira

    Trilha Sonora: Assis Medeiros

    Estúdio: 400 Filmes, Ludo Filmes

    Montador: Marcius Barbieri

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    André Frateschi, Cacá Amaral, Carolina Sudati, Charly Braun, Cristiano Karnas, Denise Weinberg, Eucir de Souza, Evelyn Ligocki, Felipe Kannenberg, Júlio Andrade, Larissa Salgado, Leonardo Medeiros, Marat Descartes, Marcelo Coutelo, Mário Bortolotto, Paula Cohen, Plínio Soares, Ramiro Silveira, Rejane Zilles, Rita Batata, Rodrigo Bolzan, Simone Spoladore, Vanise Carneiro, Vinícius Ferreira

  • Crítica

    30/09/2013 18h18

    Este filme independente brasileiro reflete na tela a maneira como foi feito. O estreante em longa-metragem Gustavo Galvão queria filmar, mas não tinha um projeto bem-acabado em mãos. Reuniu umas coisas que havia escrito e, com a ajuda da diretora e roteirista Cristiane Oliveira, fez um roteiro; ou algo parecido. Juntou uma equipe e rodou nos fins de semana. Coube ao montador Marcius Barbieri tentar dar unidade à desordem.

    Pode-se argumentar, num esforço destemido de alegação, que o longa se aproxima da instabilidade da vida real. A irregularidade, no entanto, deveria dizer respeito somente aos personagens e não à execução do filme. Nove Crônicas é como aquelas redações que fazíamos no início de ano letivo, invariavelmente intitulada "Minhas férias". Por mais especiais que fossem nossas recordações, era preciso ordenar os acontecimentos, colocar vírgulas e pontos, mostrar capacidade de arrazoar. Nota vermelha para o diretor pela desconexão.

    Galvão ambienta todas as nove e episódicas histórias citadas no título em locais decadentes, obscuros, de paredes descascadas e entulhado de objetos. O propósito é refletir nos ambientes o estado de espírito de seus personagens problemáticos e em crise. Mas a analogia não funciona como deveria; a correlação é tacanha. 

    Entre eles há um alemão que se sente culpado por ter de levar adiante a demolição de um edifício, uma mulher que não consegue esquecer seu ex, a garota de programa que sonha em deixar o prostíbulo e um filho e sua mãe escravos da rotina tediosa. Não citarei as demais tramas, até por que algumas são bem desinteressantes e sem propósito, como a ambientada numa oficina mecânica.

    Em comum, todos os personagens passam por dilemas existências e/ou amorosos. Suas vidas são vazias, desinteressantes e fustigadas pelo cotidiano massacrante tipicamente urbano. Esses tipos sem rumo são expostos de forma excessivamente teatral, recitando diálogos ora tolos ora densos que nada acrescentam – o discurso pelo discurso. Mesmo os silêncios eloquentes carecem de retórica.

    Na forma os erros também se sucedem. Recursos como planos-sequência longos, câmera na mão, planos abertos, closes... Tudo é usado sem propósito narrativo plausível ou sólido. Galvão comete o conhecido mal que assola diretores brasileiros: demoram a fazer um filme e quando fazem querem mostrar tudo que sabem, tratar de todos os assuntos e pontuar a obra com todas as referências possíveis. Invariavelmente, não dá certo.

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