O ALFAIATE DO PANAMÁ

O ALFAIATE DO PANAMÁ

(The Tailor of Panama)

2001 , 109 MIN.

14 anos

Gênero: Suspense

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • John Boorman

    Equipe técnica

    Roteiro: Andrew Davies, John Boorman, John le Carré

    Produção: John Boorman

    Fotografia: Philippe Rousselot

    Trilha Sonora: Shaun Davey

    Estúdio: Columbia Pictures Corporation

    Distribuidora: Columbia TriStar

    Elenco

    Brendan Gleeson, Catherine McCormack, Daniel Radcliffe, Geoffrey Rush, Harold Pinter, Jamie Lee Curtis, Leonor Varela, Pierce Brosnan

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Logo no comecinho, O Alfaiate do Panamá parece filme de James Bond. A primeira cena mostra Osnard (Pierce Brosnan, que por sinal foi um dos 007s do cinema) sendo designado pelo serviço secreto britânico para uma missão no Panamá. Em seguida, porém, o espectador fica sabendo que na realidade esta viagem é uma espécie de castigo para o agente, que tem atuado de forma indisciplinada. Desfaz-se assim a primeira impressão: James Bond nunca iria ao Panamá apenas para cumprir uma punição.

    A missão do agente Osnard é levantar informações secretas sobre a região, que é politicamente importante em função do Canal do Panamá. Com este objetivo, ele oferece uma grande soma em dinheiro para Harry (Geoffrey Rush), o mais requisitado alfaiate da cidade, responsável pela elegância das mais destacadas personalidades locais, incluindo até o presidente do país. Osnard acredita que Harry seria uma grande fonte de informações para a inteligência britânica. O que não é necessariamente verdade. Apesar de bem relacionado, Harry não tem acesso a informações verdadeiramente relevantes sobre seus poderosos clientes. Mas, como o dinheiro é irrecusável, o alfaiate passa a inventar falsas informações "secretas" para o agente. A rede de mentiras se desenvolve rapidamente, chega aos mais altos escalões e traz conseqüências inimagináveis.

    Baseado no romance do escritor inglês John Le Carré (o mesmo autor dos livros que originaram filmes como O Espião Que Veio do Frio e A Casa da Rússia), O Alfaiate do Panamá é imperdível para os apreciadores de um bom filme de espionagem. O roteiro está entre os melhores do ano, a trama é envolvente, as interpretações são excelentes e a direção sempre segura de John Boorman (Excalibur, Esperança e Glória) garante que o espectador fique preso à sua poltrona até a última cena. E mais: em tempos de informação rápida e globalizada, o filme questiona a credibilidade de tudo o que se lê, se ouve e se vê.

    O empolgante roteiro foi escrito a seis mãos pelo próprio autor do livro (que no próximo mês de outubro completa 70 anos), pelo diretor e também produtor John Boorman, e por Andrew Davis, o mesmo roteirista de O Diário de Bridget Jones. Todos ingleses. Os atores principais também são súditos da rainha, já que Geoffrey Rush (que chegou a tomar aulas com um alfaiate) é australiano e Pierce Bronsan é irlandês. Já a produção do filme é na sua maioria bancada pelos Estados Unidos, por meio da Columbia Pictures, em parceria com a irlandesa Merlin Films.

    Esta união do talento britânico com o capital norte-americano proporcionou um filme de espionagem que nada fica a dever aos bons clássicos deste gênero tão cultuado. Financeiramente, porém, a empreitada não foi das mais bem-sucedidas, já que apenas 13 dos 18 milhões de dólares investidos retornaram nas bilheterias dos EUA. Mais uma prova evidente que faturamento e qualidade nem sempre (ou quase nunca) caminham juntas.

    Repare no personagem Mark, filho de Harry. Ele é interpretado pelo jovem ator Daniel Radcliffe, que viverá Harry Potter no aguardado filme de mesmo nome.

    21 de agosto de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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