O AMANTE DA RAINHA

O AMANTE DA RAINHA

(En Kongelig Affære/ A Royal Affair)

2012 , 137 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/02/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nicolaj Arcel

    Equipe técnica

    Roteiro: Nikolaj Arcel, Rasmus Heisterberg

    Produção: Louise Vesth, Meta Louise Foldager, Sisse Graum Jørgensen

    Fotografia: Rasmus Videbæk

    Trilha Sonora: Cyrille Aufort, Gabriel Yared

    Estúdio: DR TV, Film i Väst, Sirena Film, Sveriges Television (SVT), Trollhättan Film AB, Zentropa Entertainments

    Distribuidora: Europa Filmes, Mares Filmes

    Elenco

    Alicia Vikander, Alzbeta Jenická, Anna Stiborová, Bent Mejding, Cyron Melville, David Dencik, Egob Nielsen, Erika Guntherová, Frank Rubæk, Frederik Christian Johansen, Harriet Walter, Jakob Ulrik Lohmann, John Martinus, Julia Wentzel Olsen, Karin Rørbeck, Kenneth M. Christensen, Klaus Tange, Laura Bro, Mads Hjulmand, Mads Mikkelsen, Michaela Horká, Mikkel Boe Følsgaard, Nikol Kouklová, Rosalinde Mynster, Søren Malling, Søren Spanning, Thomas W. Gabrielsson, Trine Dyrholm, WilliamJøhnk Nielsen, Zinnini Elkington

  • Crítica

    04/02/2013 17h15

    Uma mulher escreve aos filhos nove anos após ter sido separada deles. Em meio a uma neblina luminosa, registrada com movimentos sutis de câmera na mão, deixa as últimas palavras aos dois. O início de O Amante da Rainha promete algo grandioso, mas o indicado ao Oscar 2013 na categoria Melhor Filme Estrangeiro não possui pilares suficientemente fortes para sustentá-lo.

    O longa recebeu dois prêmios notáveis e merecidos no Festival de Berlim em 2012. Um deles, de Melhor Roteiro, escrito por Rasmus Heisterberg e pelo também diretor Nikolaj Arcel. A trama narra a história de Caroline Mathilde (Alicia Vikander), jovem natural da Inglaterra que teve o casamento arranjado com o Rei da Dinamarca, Christian VII (Mikkel Boe Følsgaard). Enquanto figurava em sua imaginação, o futuro marido era o par ideal. Após o encontro, os sonhos da rainha desabam ao perceber um rapaz, a princípio, estúpido e infantil.

    Quando sai em viagem à Europa, após o filho do casal nascer, Christian é obrigado a se consultar com um médico. Aqui o espectador familiariza-se com sua insanidade. O alemão e idealista Johann Friedrich Struensee (Mads Mikkelsen), ao invés de questionar sintomas, acompanha o fluxo da imaginação do rei, que logo o vê como um amigo e o leva para a corte.

    A trama mostra a ascensão do Iluminismo em uma Europa obscurecida por leis severas, tortura e pouco caso com a população, concentrando-se no relacionamento verídico entre a jovem rainha decepcionada e Struensee. Os dois são idealistas e passam a ver, na realeza fora de si, uma possibilidade de mudança para o país.

    Entretanto, o longa não foi bem-sucedido ao tentar reproduzir essa impressionante história real. A atuação fraca de Alicia Vikander - que evoluiu muito como coadjuvante em Anna Karenina - perde apenas para a apatia de Mikkelsen na pele do médico revolucionário. A falta de química entre os dois fica evidente. Nesse eixo, Boe Følsgaard destaca-se ao interpretar um rei louco e solitário, tanto que levou o Urso de Prata de Melhor Ator em Berlim.

    Outro pilar fraco nessa trama diz repeito à produção. Ao mostrar uma fileira de mortos por uma epidemia, o close da câmera revela uma maquiagem mal feita no nível de um filme de baixo orçamento sobre zumbis. Apesar da fotografia interessante, com iluminação rebaixada nos ambientes internos, as velas com chamas aparentemente imóveis dão margem para o espectador duvidar da reconstituição de época e do próprio cenário. Possível falha da direção de arte e, consequentemente, de Arcel, que a deixou passar.

    Quando Christian passa a atuar na corte, repetindo falas de Struensee, aprova diversas leis em benefício do povo. No início tudo é incrível. Mas logo os meios para manter estes ideais vivos começam a se diluir – falta dinheiro, os envolvidos começam a almejar benefícios e a ânsia pelo controle modifica aqueles que censuravam a realeza. A dramática cena da guilhotina expõe como o reconhecimento dos outros pode ser alvo ilusório para quem luta. A ideia de esforço coletivo acaba na lâmina, no reflexo da morte.

    A carta de Caroline relata aos filhos e ao espectador sua relação com Struensee e acaba dizendo muito mais do que isso. O mérito do longa está em mostrar, aos poucos, a complexa dicotomia do poder. Entretanto, para um filme baseado em fatos, deixa a desejar. O Amante da Rainha poderia ter sido épico, assim como sua trama, mas não conseguiu bancar a tamanha empreitada de contar um episódio fundamental na história dinamarquesa.

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