O AMERICANO TRANQUILO

O AMERICANO TRANQUILO

(The Quiet American)

2002 , 118 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Phillip Noyce

    Equipe técnica

    Roteiro: Christopher Hampton, Robert Schenkkan

    Produção: Staffan Ahrenberg, William Horberg

    Fotografia: Christopher Doyle

    Trilha Sonora: Craig Armstrong

    Estúdio: IMF Internationale Medien und Film GmbH & Co. 2. Produktions KG

    Elenco

    Brendan Fraser, Do Thi Hai Yen, Ferdinand Hoang, Holmes Osborne, Khoa Do, Mathias Mlekuz, Michael Caine, Nguyen Thi Hieu, Pham Thi Mai Hoa, Quang Hai, Rade Serbedzija, Robert Stanton, Tzi Ma

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Vietnã, anos 50. O país está dividido entre forças comunistas e os capitalistas subvencionados pelo governo francês. Em meio à instabilidade política, econômica e social, Thomas Fowler (Michael Caine), um pacato jornalista inglês, faz seu trabalho sem pressa, mais preocupado em tomar um bom chá no meio da tarde que propriamente em suprir seu jornal de informações quentes. Porém, seu editor ameaça fazê-lo retornar a Londres, o que seria um martírio para o velho repórter, já estabilizado em Saigon e vivendo com a bela Phuong (a vietnamita Do Hai Yen). Ao mesmo tempo ele conhece Alden (Brendan Fraser, de A Múmia), um jovem agente do governo americano em missão médica. Em poucos dias, a aparente estabilidade de Fowler está prestes a desmoronar: Alden se declara profundamente apaixonado por Phuong, o jornal pressiona pelo seu regresso, e a guerra local assume novas proporções. O veterano jornalista terá de tomar severas atitudes se quiser manter tudo o que conquistou durante décadas.

    Baseado no livro de Graham Greene, O Americano Tranqüilo é um belo painel das transformações sociais e políticas que se iniciaram nos anos 50 e que teriam sérias repercussões nas décadas seguintes. Numa primeira análise, o filme pode ser visto como um retrato dos últimos anos de colonialismo ocidental. Há uma Inglaterra decadente e acomodada - representada por Fowler -, uma América jovem, ousada e cheia de sede de poder - na representação de Alden -, e um Vietnã amoral, com desejo de ser possuído por uma ou outra força capitalista, sem preconceitos, desde que o dinheiro seja atrativo. Por outro lado, o filme também narra a luta pessoal de um homem que se vê obrigado a sacudir todas as suas estruturas - tidas como estáveis - em busca de suas grandes paixões e objetivos. E, além de tudo, trata-se de uma bela história de poder e amor, muito bem-contada pelo diretor Phillip Noyce, o mesmo de O Colecionador de Ossos e Perigo Real e Imediato.

    Merece destaque o clima romântico e noir que o filme carrega em suas cores quentes e sua eficiente fotografia. A caprichada reconstituição de época e a excelente escolha do elenco devem ser creditadas a dois de seus produtores - também diretores - que já provaram em várias oportunidades serem cineastas de mãos cheias: Anthony Minghella, diretor de O Paciente Inglês, e Sydney Pollack, que dirigiu Entre Dois Amores, A Firma, e a versão 1995 de Sabrina.

    Tudo isso faz de O Americano Tranqüilo um filme para paladares refinados. Lento quando necessário, sensual, chocante no momento certo, e acima de tudo elegante. Tão elegante e refinado que foi um tremendo fracasso na terra de Ronald McDonald, onde faturou a inexpressiva quantia de US$ 1,3 milhão. Talvez a indicação de Michael Caine para o Oscar de Ator melhore a carreira financeira deste belo filme.

    O livro já havia sido filmado por Joseph L. Manckiewicz em 1958, com Michael Redgrave e Audie Murphy nos papéis principais.

    26 de fevereiro de 2003.

    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus