O AMOR SEGUNDO B. SCHIANBERG

O AMOR SEGUNDO B. SCHIANBERG

(O Amor Segundo B. Schianberg)

2009 , 80 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 12/02/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Beto Brant

    Equipe técnica

    Roteiro: Beto Brant

    Produção: Renato Ciasca

    Fotografia: Heloísa Passos

    Estúdio: Drama Filmes

    Distribuidora: Espaço Filmes

    Elenco

    Marina Previato e Gustavo Machado

  • Crítica

    09/02/2010 16h28

    Mesmo embalado com a firula da videoarte e transformado em imagem com câmeras de vigilância, O Amor Segundo B. Schianberg mantém-se na tradicional disputa do cinema de ficção: a crença e a dúvida com o que está na tela.

    Com jeito de reality show, Beto Brant (Cão Sem Dono) confinou um ator (Gustavo Machado) e uma videoartista (Mariana Previato) em uma casa. O que vemos na tela vem parte do roteiro, parte do resultado da convivência do casal.

    Ou seja, estamos novamente diante de um filme-processo, no qual a construção do amor, no cinema, é discutida, explicada, desnudada e ironizada. Aquele beijo é técnico ou não? Como é um choro canastrão ou o mais elaborado?

    E daí? Qual a graça de repetir que o beijo do cinema não é de verdade? Aliás, qual o interesse em saber se o beijo dos atores é de verdade ou que também traz o clima do set? O que importa, no fim das contas, é a verdade do filme, e não o fetiche do “aconteceu ou não aconteceu”.

    O Amor Segundo B. Schianberg é demasiadamente preocupado com a construção do amor, não com o amor de fato. É cioso em explicar o óbvio: cinema é construção, mesmo que um filme mostre o esforço em conectar-se com a modernidade, seja pela videoarte ou pela realidade/ficção instantânea.

    O problema não é o filme-processo, mas não incorporar a realização e o resultado como algo orgânico. Quando isso não acontece, o dispositivo fica mais importante que o filme. O exercício fica à frente do cinema.

    O Amor Segundo B. Schianberg quer subverter a forma do reality show e seus participantes que só armam picuinhas e tramóias para incorporar a atmosfera com dois personagens/atores para falar de amor.

    Mas são dois personagens que criam uma poesia do banal que bebe de frases feitas. Gala (Mariana Previato) e Félix (Gustavo Machado) repetem que querem buscar o interno do outro, a essência e a verdade. Seria muito mais legal que, no filme, eles chegassem ao profundo em vez de verbalizar essa busca.

    O amor chega aos poucos, mas é interrompido pelo corte (desejo de Brant de nos manter a distância?). Na sequência, algum dos atores faz questão de deixar claro que o que está na tela é de mentirinha. E volta para o amor dos dois. O processo é apêndice do filme.

    Em O Amor Segundo B. Schianberg, Beto Brant montou um esquema para encontrar o amor. Porém, tamanha racionalização não acrescenta nada nem na maneira como o sentimos, nem sobre como o cinema o constrói. É uma investigação fracassada que, ao buscar o profundo, chega ao óbvio.

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