Pôster de O Ano de 1985

O ANO DE 1985

(1985)

2018 , 85 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 25/04/2019

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Yen Tan

    Equipe técnica

    Roteiro: Hutch, Yen Tan

    Produção: Ash Christian, Hutch

    Fotografia: Hutch

    Trilha Sonora: Curtis Heath

    Estúdio: Cranium Entertainment, Floren Shieh Productions, MuseLessMime Productions, RainMaker Films

    Montador: Hutch, Yen Tan

    Distribuidora: Supo Mungam Films

    Elenco

    Aidan Langford, Alex Nicole McConnell, Benjamin Hull, Bill Heck, Bryan Massey, Chandra Rees, Chris Gardner, Cory Michael Smith, David Opegbemi, J. Michael Miller, Jamie Chung, Katrina Johnson, Keagan Lee, Kendahl Cooper, Lyn Jagger, Marcus DeAnda, Michael Chiklis, Michael Darby, Ryan Piers Williams, Stan Taylor, Steve Fields, Tina Parker, Virginia Madsen

  • Crítica

    09/05/2019 11h02

    Por Sara Cerqueira

    Em 1981, o mundo conhecia a AIDS e reconhecia a doença como algo grave. Entretanto, médicos e cientistas ainda tinham enorme dificuldade em saber sobre as formas de contágio, o agente causador, medicamentos que pudessem combatê-lo e as consequências dos remédios para a saúde. Demorou-se o que pareceu ser uma verdadeira eternidade para que as pessoas infectadas pudessem ter uma real esperança em viver mais e melhor com o vírus.

    Na chegada dos anos 2000, a doença havia matado 12 milhões de pessoas ao redor de todo o mundo. Um massacre injusto e cruel com pessoas que pouco entendiam do que sofriam. Além da dor da morte, do estigma social e do preconceito, o mais profundo desconhecimento.

    O Ano de 1985, dirigido pelo americano Yen Tan, retrata o pânico, a dor e a solidão do fardo do HIV e da AIDS sobre soropositivos. No auge da epidemia, o protagonista Adrian (Cory Michael Smith) volta para sua cidade natal, para passar as festas de fim de ano com a família, extremamente religiosa. Fragilizado devido à perda do namorado para a AIDS, ele luta para se reaproximar dos pais, do irmão mais novo e de uma amiga de infância, enquanto decide se revela ou guarda seus segredos mais íntimos.

    Aqui, Yen Ten não economiza no caráter fúnebre característico da época, e nos entrega uma película tomada pela melancolia e pela vergonha (o preto e branco do filme potencializa isso muito bem).

    Enquanto tenta esconder sua situação de desamparo físico e emocional, Adrian tenta manter ao máximo a fachada da felicidade e da animação por encontrar a família novamente, o que representa e muito bem os estigmas que a população LGBT tinha que carregar na época (e carrega até hoje) e as vidas duplas que muitos eram forçados a viver. Além disso, termos como "o câncer gay" ou a "peste homossexual" embutiam culpa pela doença em um grupo que já muito havia sofrido.

    O trabalho entregue pelo elenco é muito eficiente, não somente devido ao talento dos atores mas também às camadas e arcos dramáticos dos próprios personagens. Cory Michael Smith interpreta o protagonista de maneira muito íntima e solitária, nos passando um constate incômodo e sensação de não pertencimento com o passar do filme, uma vez que sua angústia por não contar a verdade aumenta gradativamente. Seus pais (interpretados por Virginia Madsen e Michael Chiklis) representam bem a influência tóxica do discurso extremista religioso e conservador nas relações familiares sem recair totalmente em estereótipos, dando a nós um gostinho de esperança e otimismo pelo futuro.

    Destaque para os atores Aidan Langford e Jamie Chung, que interpretam respectivamente o irmão mais novo e a antiga amiga do protagonista. Ambos trabalham muito bem e marcam presença nas cenas mais emocionantes e reconfortantes da história, aliviando a dor de Adrian.

    Apesar de não inovar ao tratar de um tema já tão conhecido, O Ano De 1985 é uma bela narrativa sobre um período nefasto da história humana. Assistir ao filme é conhecer o lado mais pessoal de uma catástrofe coletiva. É a dramatização de milhões de histórias vividas e terminadas em batalha. Vale a pena.

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