O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS

O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS

(O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias)

2006 , 106 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 02/11/2006

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Cao Hamburger

    Equipe técnica

    Roteiro: Anna Muylaert, Bráulio Mantovani, Cao Hamburger, Cláudio Galperin

    Fotografia: Adriano Goldman

    Trilha Sonora: Beto Villares

    Estúdio: Gullane Filmes

    Elenco

    Caio Blat, Daniela Piepszyk, Eduardo Moreira, Germano Haiut, Michel Joelsas, Paulo Autran, Rodrigo dos Santos, Simone Spoladore

  • Crítica

    02/11/2006 00h00

    Cao Hamburger é um diretor mais conhecido por seus trabalhos voltados ao público infantil. Criador da série de TV Castelo Rá-Tim-Bum, dirigiu o longa homônimo em 1995. Apesar de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias ser protagonizado por um menino, não há nada de infantil em seu segundo longa.

    Mauro (Michel Joelsas) mora com seus pais, Bia (Simone Spoladore) e Daniel (Eduardo Moreira), em Belo Horizonte (BH). O ano é 1969 e o Brasil está em crise. A ditadura militar está em seu ápice e os pais de Mauro parecem estar fugindo de alguma coisa. Eles deixam o menino, sem muitas explicações, na casa do pai de Daniel, Mótel (Paulo Autran), no bairro paulistano do Bom Retiro, conhecido pela miscelânea de raças e culturas que apresentava nos anos 60 e 70. O bairro, que hoje abriga imigrantes coreanos em sua maioria e atrai consumidores à procura de produtos têxteis, era moradia, na época do filme, de judeus e italianos. Mauro, filho de pai judeu e mãe católica, toma contato com esse novo mundo. De repente, ele se vê sozinho entre pessoas que nunca viu na vida. Mauro tem de crescer de uma hora para outra e, com a ajuda de seus vizinhos, supera esse obstáculo em seu desenvolvimento sem nunca perder essa inocência do olhar infantil.

    A ditadura sempre foi e será terreno prolífico. São muitas as histórias dessa época que o cinema pode explorar - e já o fez. Cair na mesmice ao se pisar nessa área é fácil, mas O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias não o faz. Isso por conta do tipo de narrativa escolhida pelo diretor. É uma produção extremamente sensível, melancólica e, em preciosos momentos, divertida. A direção, madura, valoriza a caprichada direção de arte e leva o espectador a entrar no mundo de Mauro (Michel Joelsas), o pequeno protagonista que rouba a cena e cativa o público. Há a visão de um menino em relação ao contexto sócio-cultural do bairro paulistano do Bom Retiro, durante o final dos anos 60, em plena ditadura militar. A história, triste, ganha leveza, graciosidade e tons de comédia por ser contada por meio da visão de Mauro. Esse caráter universal da história - afinal, trata-se das descobertas de um pré-adolescente, como qualquer um já foi ou um dia será, independente da época ou momento político - conquista espectadores de todas as idades, contribuindo para o possível sucesso do filme em circuito comercial.

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