O ARCO

O ARCO

(Hwal)

2005 , 90 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Kim Ki-duk

    Equipe técnica

    Roteiro: Kim Ki-duk

    Produção: Ki-duk Kim

    Fotografia: Jang Seong-back

    Trilha Sonora: Kang Eun-il

    Elenco

    Gook-hwan Jeon, Han Yeo-reum, Si-jeok Seo

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Dizem que crítico de cinema tem mania de ver um filme e pensar noutro. Pode até ser, mas é difícil assistir ao drama de co-produção entre Japão e Coréia do Sul O Arco sem lembrar de, por exemplo, Assédio, de Bernardo Bertolucci, A Ostra e o Vento, de Walter Lima Jr. e Entre o Inferno e o Profundo Mar Azul, de Marion Hansel. Tomando emprestado elementos destes três filmes, e certamente de outros que agora não me vêm à memória, o cineasta sul coreano Kim Ki-Duk (o mesmo de Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera) faz de O Arco uma bela fábula oriental.

    Tudo se passa em alto mar. Não há margens nem terra à vista. Os personagens não têm nome. Ajudado por uma bela adolescente, um velho ganha a vida alugando seu barco para pescadores amadores. Logo ficamos sabendo que o velho, na realidade, "guarda" a garota consigo desde quando ela tinha seis anos e pretende se casar com ela nos próximos meses, quando ela completar 17. A menina nunca saiu do barco, como o personagem principal de A Lenda do Pianista Sobre o Mar (epa, outra referência), de Giuseppe Tornattore. A relação entre ambos a princípio parece incestuosa, mas aos poucos se revela platônica.

    Tudo vai bem até que o barco recebe como cliente um jovem com ares urbanos e globalizados (ele tem até uma camiseta escrita "Hollywood", displicentemente vestida sob seu agasalho). Ao mesmo tempo em que se encanta com a garota, ele se compadece de sua situação de prisioneira. Estabelece-se o conflito. De um lado, um modo de vida feudal, patriarcal, machista, movido à pesca. Do outro, os novos tempos, movidos a MP3. A divisão é nítida. Mas a melhor questão que o filme coloca é: "Quem quer os novos tempos?"

    O Arco é um filme sobre dicotomias. A mesma mão que agride é a que banha carinhosamente o corpo do ser amado. O mesmo arco que toca belas músicas orientais é o que atira flechas assassinas. A milenar cultura oriental se choca com a modernidade. Repare que a bandeira sul-coreana hasteada no barco está gasta, rasgada pela metade. São várias as leituras possíveis.

    Sua narrativa silenciosa é das mais envolventes. Usando e abusando de olhares e palavras, relegando a verbalização ao segundo plano, O Arco é um filme para ver, sentir, refletir e relaxar.

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