O BANHEIRO DO PAPA

O BANHEIRO DO PAPA

(El Baño del Papa)

2005 , 97 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 14/03/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • César Charlone, Enrique Fernández

    Equipe técnica

    Roteiro: César Charlone, Enrique Fernández

    Produção: Andréa Barata Ribeiro, Bel Berlinck, Elena Roux, Fernando Meirelles, Serge Catoire

    Fotografia: César Charlone

    Trilha Sonora: Gabriel Casacuberta, Luciano Supervielle

    Estúdio: O2 Filmes

    Elenco

    Cesar Troncoso, Mario Silva, Virginia Méndez, Virginia Ruíz

  • Crítica

    14/03/2008 00h00

    O Banheiro do Papa tem muito do clima da cultura brasileira por ter sido rodado numa cidade uruguaia que fica pertíssimo da fronteira. O filme só não é totalmente brasileiro por ser falado em espanhol. Vários elementos que compartilhamos com outros países da América Latina transitam pela trama, baseada em história real ocorrida na cidade uruguaia de Melo. Em 1988, o Papa João Paulo II visitou a humilde cidade, que se encheu de preparativos para a chegada do religioso. Estimava-se a visita de centenas de milhares de visitantes e os moradores contavam com esse evento para mudarem de vida. Muitos venderam casas, terrenos e outros pertences para comprar carnes, lingüiças, pães e afins para abastecer o público esperado com comida o suficiente.

    Beto (César Troncoso) é um homem que vive de trazer mantimentos, encomendados por comerciantes locais, de cidades maiores na garupa de sua bicicleta. Ele pedala 60 quilômetros e atravessa a fronteira brasileira nesse seu trabalho, correndo riscos e forçando sua já defasada saúde. Pai de uma menina que sonha em ser repórter (Virginia Ruiz), é casado com uma mulher (Virgínia Mendez) que faz de tudo para apoiá-lo em suas decisões e tentativas de melhorar de vida, inclusive quando ele tem a idéia de construir um banheiro para que os milhares de turistas possam usar durante a visita do Papa.

    Bastante delicado, o drama aborda de forma sensível a pobreza dos moradores de Melo, além de exaltar sempre a presença da esperança em suas vidas, mesmo em meio à miséria, o que o aproxima bastante com a cultura brasileira. As locações são simples e pobres, mas a fotografia de Charlone é capaz de transformá-las em belíssimas cenas graças às escolhas bem-acertadas na iluminação, quase sempre natural. A direção aproveita muito bem o meio ambiente inóspito e simplório onde a história se passa. Além disso, os atores apresentam um trabalho encantador, especialmente Troncoso, apesar da pouca experiência do ator uruguaio em cinema. Isso porque tanto ele quanto Virgínia (outro trabalho memorável neste filme) têm mais experiência no teatro, arte mais tradicional no Uruguai do que o cinema.

    Dirigido pelo uruguaio radicado no Brasil César Charlone (que também assina a magnífica fotografia do longa) e Enrique Fernández, O Banheiro do Papa foi produzido pelo brasileiro Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel). Exibido no último Festival de Cannes, foi premiado no 35º Festival de Cinema de Gramado - onde venceu os prêmios de Melhor Ator (César Troncoso), Atriz (Virginia Méndez), Roteiro (Enrique Fernandez e Cesar Charlone), Prêmio Excelência de Linguagem Técnica, Prêmio da Crítica e Júri Popular.

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