O CAMINHO PARA KANDAHAR

O CAMINHO PARA KANDAHAR

(Safar e Ghandehar)

2001 , 85 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mohsen Makhmalbaf

    Equipe técnica

    Roteiro: Mohsen Makhmalbaf

    Produção: Syamak Alagheband

    Fotografia: Ebrahim Ghafouri

    Trilha Sonora: Mohammad Reza Darvishi

    Elenco

    Hassan Tantai, Niloufar Pazira, Sadou Teymouri

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Não parece um filme feito no planeta Terra. A Caminho de Kandahar remonta à alguma cena perdida de Guerra nas Estrelas, como se fosse ambientado num daqueles mundos desérticos imaginados por George Lucas. A paisagem é extremamente árida e os seres, cobertos dos pés à cabeça, sequer parecem humanos.

    Porém, A Caminho de Kandahar é, sim, tristemente humano. Conta a história de Nafas (Niloufar Pazira), uma jornalista afegã que mora no Canadá, que se vê obrigada a tentar retornar à sua terra. Motivo: sua irmã está disposta a cometer suicídio durante o último eclipse do século 20. Nafas tem poucos dias para cruzar a fronteira Irã/Afeganistão e chegar até Kandahar, onde mora a aflita irmã. A jornada é de terror. O país está devastado pela miséria e uma simples boneca de pano pode trazer a morte escondida sob a forma de minas explosivas.

    Este verdadeiro road-movie fundamentalista recebe a direção sempre crua, minimalista e eficiente do iraniano Mohsen Makhmalbaf, o mesmo de Gabbeh e O Silêncio. E o próprio tema do filme não poderia ser mais árido. Numa linguagem que mistura documentário com ficção, Makhmalbaf expõe a ignorância pseudamente religiosa de todo um povo, a opressão das mulheres que não podem ser vistas pelos homens nem durante uma consulta médica, a educação radical das crianças, enfim, todo um país mergulhado no mais profundo obscurantismo. Uma cena, porém, é especialmente marcante: um grupo de mutilados corre em direção a um helicóptero que joga pequenos volumes atados a pára-quedas. O espectador demora alguns segundo para perceber o conteúdo da encomenda. São dezenas de próteses de pernas que a Cruz Vermelha despeja para as vítimas das minas. Uma cena real e impressionante.

    Baseado em caso verídico, A Caminho de Kandahar certamente não seria um filme tão comentado não fosse pela notoriedade que o Afeganistão ganhou após os atentados de 11 de setembro. Estreando em momento propício, ele é uma denúncia que chama a atenção de todos os que se interessem por este momento tão delicado que o mundo inteiro vive.

    Curiosidade: o nome da personagem principal, Nafas, em afegão, significa “Respiração”.

    12 de novembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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