O Casamento de May

O CASAMENTO DE MAY

(May in the summer)

2013 , 99 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 14/08/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Cherien Dabis

    Equipe técnica

    Roteiro: Cherien Dabis

    Produção: Alix Madigan, Cherien Dabis, Christopher Tricarico

    Fotografia: Brian Rigney Hubbard

    Trilha Sonora: Kareem Roustom

    Estúdio: Anonymous Content, Displaced Pictures, Durga Entertainment

    Montador: Sabine Hoffmann

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    adine Malouf, Alaadin Khasawneh, Alexander Siddig, Alia Shawkat, Bill Pullman, Cherien Dabis, Elie Mitri, Hiam Abbass, James Garson Chick, Laith Soudani, Nasri Sayegh, Ritu Singh Pande

  • Crítica

    13/08/2014 17h24

    A personagem que dá nome a O Casamento De May (May in the Summer) é símbolo e reflexo de algo muito maior. Meio americana, de descendência jordaniana, escritora em ascenção e prestes a se casar com um professor universitário, ela é símbolo de uma realidade ainda muito distante da maioria das mulheres: a possibilidade de decidir seu próprio destino.

    Dirigido, roteirizado e estrelado pela bela Cherin Dibis, o filme, selecionado para o último Festival de Sundance, transcende as barreiras culturais e étnicas para criar um drama familiar inteligente sobre aquilo que nos une, medos e angústias além das fronteiras e tão comuns em todas as relações, sejam elas familiares, amorosas, ocidentais ou orientais.

    Nas primeiras cenas May contempla Amã, capital da Jordânia, onde vai passar os últimos dias antes da oficialização do seu romance. Esses momentos angustiantes são divididos com a mãe, Nadine (papel da excelente Hiam Abbass, de A Fonte Das Mulheres) e as irmãs Dalia (Alia Shawkat), homossexual, e Yasmine (Nadine Malouf), estabanada e excêntrica.

    Há, porém, um conflito: Ziad (Alexander Siddig), noivo de May, é muçulmano secular, o que torna a relação um fardo para a mãe, uma mulher amargurada convertida ao cristinanismo após um casamento frustrado com um diplomata norte-americano de caráter duvidoso.

    O central aqui não são os possíveis choques culturais causados por personagens com origens e histórias tão diferentes, apesar da sutileza no retrato dos desafios que essa família heterogênea enfrenta num país do Oriente Médio com uma influência ocidental crescente. O objetivo de O Casamento de May parece ser muito mais modesto: um retrato dessa personagem tentando se encontrar e em permanente dúvida sobre qual futuro vai escolher seguir.

    Para isso há uma acertada escolha pela sobriedade, que a produção refinada e sensivel só faz reforçar. Há cenas longas filmadas em paisagens desérticas em que a personagem principal parece um pequeno pedaço perdido no meio de um grande ecossistema. Há várias dessas sequências, que contrastam com momentos de grande impacto, como uma belíssima cena em que May e Dalia refletem sobre a vida enquanto seus corpos flutuam no Mar Morto.

    Evitando a armadilha fácil do melodrama e oferecendo um retrato fora do fundamentalismo, O Casamento de May é uma comédia com toques de romance construída para ser universal e mostrar que as barreiras culturais são criadas mais por uma percepção sobre o outro do que, de fato, por diferenças. 

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