O CASAMENTO DO ANO

O CASAMENTO DO ANO

(The Big Wedding)

2012 , 89 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 30/08/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Justin Zackham

    Equipe técnica

    Roteiro: Justin Zackham

    Produção: Anthony Katagas, Clay Pecorin, Harry J. Ufland, Justin Zackham, Richard Salvatore

    Fotografia: Jonathan Brown

    Trilha Sonora: Nathan Barr

    Estúdio: Millennium Films, Two Ton Films

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Amanda Seyfried, Ana Ayora, Ben Barnes, Christa Campbell, Christine Ebersole, Darly Wayne, David Rasche, Diane Keaton, Doug Torres, Edmund Lyndeck, Greg Paul, Ian Blackman, John Farrer, Joshua Nelson, Katherine Heigl, Kyle Bornheimer, Marc Blucas, Marvina Vinique, Megan Ketch, Olan Montgomery, Patricia Rae, Quincy Dunn-Baker, Robert De Niro, Robin Williams, Sandra, Shana Dowdeswell, Susan Sarandon, Sylvia Kauders, Tony Joe, Topher Grace

  • Crítica

    25/08/2013 23h00

    Assistindo a esta comédia lembrei – não sem certa comiseração - de um tipo de espectador bem comum nas salas brasileiras: o cinéfilo de ocasião. Aquele que escolhe o que vai ver na hora, na frente da bilheteria, passando os pôsteres em revista. Ao se deparar com o cartaz de O Casamento do Ano e seu plantel estelar, vai pensar: Não tem erro, um filme com Diane Keaton, Robert De Niro, Susan Sarandon, Robin Williams e Katherine Heigl deve ser, no mínimo, bom. Ledo engano.

    Não foi um erro coletivo de percepção. Essa turma é experimentada e sabia o barco furado em que estava embarcando. A questão é que foram muito bem pagos para dizer "sim" a este casamento de fachada. O bom, neste caso, é que se pode abandonar a cerimônia a qualquer hora, ou nem ao menos aceitar o convite, sem medo de magoar os anfitriões, afinal, eles não pensaram nos convidados, o público, quando toparam participar desta festinha medíocre.

    Os personagens são um verdadeiro amontoado de clichês tagarelando diálogos mal escritos ao longo de todo o filme. Ellie (Keaton) volta a casa na qual morou e criou seus filhos para o casamento de um deles, Alejandro (Ben Barnes). Lá vivem seu ex-marido, Don (De Niro), e sua nova mulher Bebe (Sarandon), que um dia foi a melhor amiga de Ellie. Chegam também para o casamento os irmãos de Alejandro, Lyla (Heigl) e Jared (Topher Grace).

    O conflito central se dá quando Don e Ellie têm de fingir serem casados novamente para não desagradar a mãe biológica de Alejandro, uma colombiana religiosa que chega aos Estados Unidos para a cerimônia. Para os roteiristas, colombianos não aceitam a separação por serem cristãos. "É uma tradição no país deles", diz um personagem a certa altura. Que os americanos têm profundo desconhecimento sobre a América Latina, já sabemos. Mas achar que, em pleno século 21, alguém ainda veja o divórcio como pecado é de doer.

    As coisas pioram um pouco mais. A tal mãe conservadora colombiana chega aos Estados Unidos acompanhada da irmã biológica de Alejandro, uma bela morena. Rola um flerte entre ela e Jared, que sabe-se lá porque decidiu manter a virgindade até os 30 anos. Ele é um médico bem-sucedido, boa pinta e sem influência religiosa, mas resolveu permanecer imaculado porque os roteiristas assim quiseram – só esqueceram de fundamentar as convicções do rapaz.

    E quem vai fazê-lo resolver se entregar aos prazeres do sexo? A sensualidade latina. Numa das cenas mais improváveis do filme, Jared e a colombiana caliente (que para o filme é um redundância) estão sentados à beira do lago ao lado da casa onde ocorrerá a cerimônia de casamento. É dia e empregados trabalham no quintal. Os dois conversam brevemente e ela o convida para tomar banho. Ele topa e diz que vai na casa pegar uma roupa de banho da irmã pra ela. A moça não perde tempo e fica nua na frente dele e dos empregados, dá um sorriso malicioso e pula n'água.

    Por que ela faz isso? Por que nasceu na Colômbia, país onde as pessoas tiram a roupa na frente de quem acabou de conhecer sem pudores, segundo o filme. Se não bastasse, quando Ellie percebe o assédio da moça sobre o filho, a chama de canto e explica como as mulheres americanas se comportam com os homens. Ela, selvagem latina, aprende que não se pode ir cedendo aos apelos de um rapaz assim tão fácil. Tem de ser cortejada antes com flores, palavras bonitas e demonstrações de carinho.

    Já estou me estendendo muito. Esse filme não merece tanto. O Casamento do Ano é a prova cabal de que uma trupe de atores talentosos não pode salvar uma má ideia. Pelo menos os cinéfilos de ocasião que caírem nessa armadilha vão ficar mais reticentes com pôsteres edulcorados por estrelas.

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