O CÉU DE SUELY

O CÉU DE SUELY

(O Céu de Suely)

2006 , 90 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 17/11/2006

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Karim Ainouz

    Equipe técnica

    Roteiro: Felipe Bragança, Karim Ainouz, Maurício Zacharias

    Produção: Hengameh Panahi, Maurício Andrade Ramos, Peter Rommel, Thomas Häberle, Walter Salles

    Fotografia: Walter Carvalho

    Trilha Sonora: Berna Ceppas, Kamal Kassim

    Elenco

    Georgina Castro, Hermila Guedes, João Miguel, Maria Menezes, Zezita Matos

  • Crítica

    17/11/2006 00h00

    O Céu de Suely chega aos espectadores seguido por grande expectativa. Afinal, trata-se do segundo filme do diretor Karim Aïnouz, que estreou no cinema com o soberbo Madame Satã. Promessa cumprida: O Céu de Suely é mais uma prova do talento de Aïnouz como cineasta, que utiliza uma narrativa lúdica e contundente para, mais uma vez, calcar seu cinema na construção de um personagem complexo, que se sente fora de seu próprio mundo.

    O título do filme foi dado pouco antes da produção estrear mundialmente, no Festival de Veneza de 2006. Nem parece, pois combina perfeitamente com o que vemos na tela. A impressão é que a direção e fotografia (maravilhosa, assinada por Walter Carvalho) foram pensadas a partir do nome. O céu de Suely é azul vibrante, tem nuvens bem definidas, mas é vazio de esperanças e está bem longe de onde a protagoniza pisa.

    A Suely do título não é batizada assim, mas como Hermila (como a protagonista, a excelente Hermila Guedes, em sua estréia como protagonista de um longa-metragem). Nascida em Iguatu, saiu aos 20 anos da cidade cearense para tentar a sorte em São Paulo com o marido. Dois anos depois, ela volta ao meio do nada com um filho pequeno e nota que seu lar nunca mais estará do mesmo jeito que deixou. Apesar de ainda ter uma família presente e um ex-namorado que segue devoto a ela (interpretado por João Miguel, de Cinema, Aspirinas e Urubus), Hermila não tem intenções de seguir sob o mesmo céu daquela cidade onde nasceu. Ela parece estar sempre esperando pelo marido, por uma nova oportunidade, por um novo lar. Cansada da espera, resolve tomar uma atitude drástica para arrecadar dinheiro para a passagem. Ela não tem um destino certo, só sabe que ele está bem longe de Iguatu. Com o nome de Suely, rifa o próprio corpo. Com essa nova identidade, vira prostituta por uma noite para fugir da própria realidade.

    Como Lázaro Ramos em Madame Satã, Hermila Guedes desponta como uma nova promessa do cinema brasileiro. Bela e espontânea, ela é capaz de transmitir ao espectador toda essa angústia que Hermila/ Suely sente na pequena e quente Iguatu. A placa na saída do local diz: "Aqui começa a saudade de Iguatu". Não para a protagonista que, mesmo tendo pessoas que a amam, não é capaz de se manter feliz por lá. Ela não tem lar, é incapaz de criar raízes e, na tentativa de sair de sua realidade simplória e insatisfatória, rifa o próprio corpo. Os personagens são essenciais na construção de O Céu de Suely. Estritamente femininos, mostram uma característica dessa sociedade que raramente é retratada no cinema. Os homens são colocados em segundo plano para que a força das mulheres ganhe espaço.

    A direção de O Céu de Suely é intimista. Aïnouz aproxima suas câmeras de Hermila como uma forma de decifrá-la. Ela é simples e complexa ao mesmo tempo. Só quer fugir do que tem. Ela deseja mais do que lhe é oferecido e está pronta para conquistar o mundo que deseja. Assim como Aïnouz, que, em seu segundo filme, mostra que não está para brincadeira. O espectador agradece.

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