Cartaz de O Céu É de Verdade

O CÉU É DE VERDADE

(Heaven is for Real)

2014 , 99 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 03/07/2014

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Randall Wallace

    Equipe técnica

    Roteiro: Chris Parker

    Produção: Joe Roth, T.D. Jakes

    Fotografia: Dean Semler

    Trilha Sonora: Nick Glennie-Smith

    Estúdio: Roth Films, Screen Gems, TriStar Pictures

    Montador: John Wright

    Elenco

    Connor Corum, Danso Gordon, Darcy Fehr, Greg Kinnear, Jacob Vargas, Kelly Reilly, Lane Styles, Margo Martindale, Nancy Sorel, Pete Hudson, Rob Moran, Thanya Romero, Thomas Haden Church, Ursula Clark, Vivian Winther

  • Crítica

    01/07/2014 09h01

    Como diz o adágio, não se faz omelete sem quebrar os ovos. O diretor e roteirista Randal Wallace (Fomos Heróis) parece ter esquecido isso ao adaptar para as telas o best-seller O Céu é de Verdade, que vendeu mais de 10 milhões de exemplares em todo o mundo desde seu lançamento em 2010.

    Não se discute que a história do menino que tem uma experiência de quase morte e diz ter visitado o céu e conversado com Jesus é atraente e tem grande potencial de público – o sucesso editorial prova isso. Mas a estrutura narrativa de um filme nada tem a ver com a de um livro.

    Wallace ignorou as particularidades do cinema no processo de adaptação. Fez um filme carregado de acontecimentos supérfluos para ocupar o tempo enquanto o ato principal não se desenrola - o que não seria problema se as subtramas formassem uma conjuntura de verdade, com fatos apresentando lógica de causa e efeito.

    O Céu é de Verdade faz seu preâmbulo nos apresentando o reverendo Todd Burpo (Greg Kinnear, de Pequena Miss Sunshine), cujo filho Colton (Connor Corum) viverá a experiência transcendental. Burpo tem um pequeno negócio que não vai bem, trabalha como bombeiro voluntário e pastor da congregação local. O filme é enfático em mostrar que ele não está num ano bom e tem dificuldades em pagar as contas.

    Mas os problemas financeiros da família são um dos elementos do qual o filme prescinde. Parecem ter alguma relevância para a trama, mas não têm. Servem apenas para fazer o tempo passar. Assim como um acidente que Todd sofre quando está jogando softbol. O diretor dramatiza a sequência, a explora posteriormente e induz o público a pensar que tem alguma influência no contexto, mas é pura encheção de linguiça.

    Chega-se então ao que interessa. Colton é levado às pressas para um hospital onde é submetido a uma cirurgia de emergência. Todd e a esposa, Sonja (Kelly Reilly, de Sherlock Holmes), ficam em pânico porque o caso é grave o menino corre risco de vida. Colton escapa milagrosamente, mas o que vem depois é o que verdadeiramente surpreende seus pais.

    O garoto começa a contar, com naturalidade e riqueza de detalhes, sua viagem de ida e volta ao céu, onde foi recebido pessoalmente por Jesus. O pai desconfia de que seja só a cabeça fantasiosa de uma criança em ação, até Colton começar a relatar acontecimentos que não teria como saber.

    Mesmo quando passa a se concentrar na experiência espiritual do menino, O Céu é de Verdade não alça voo. A crise de fé que o relato de Colton suscita na cabeça do pai - para quem a noção de "céu" é um conceito teológico abstrato - não é suficientemente explorada, mesmo que Greg Kinnear consiga mostrar convicção e dúvida de forma bem clara em sua interpretação.

    De ritmo oscilante e pesando a mão na trilha sonora incidental para força o espectador a se emocionar, O Céu é de Verdade pode até mesmo não satisfazer alguns fãs da obra literária. Os relatos do menino contidos no livro deram asas à imaginação de milhões de leitores pelo mundo, mas Randal Wallace não trabalhou suficientemente o roteiro para transpor a experiência para as telas. Quis fazer omelete sem quebrar os ovos.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus