O CÉU SOBRE OS OMBROS

O CÉU SOBRE OS OMBROS

(O Céu Sobre os Ombros)

2010 , 72 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 18/11/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sérgio Borges

    Equipe técnica

    Roteiro: Manuela Dias, Sérgio Borges

    Produção: Felipe Duarte, Helvécio Marins Jr., Luana Melgaço, Sérgio Borges

    Fotografia: Ivo Lopes Araújo

    Estúdio: PRIMO Filmes, Teia

    Distribuidora: Vinny Filmes

    Elenco

    Edjucu Moio, Everlyn Barbin, Grace Passô, Murari Krishna

  • Crítica

    15/11/2011 17h14

    Ao menos de clichê os personagens de O Céu Sobre os Ombros não podem ser acusados. Afinal, quando vimos num único longa uma transexual prostituta versada em Foucault e Freud, um escritor que nunca publicou por achar inútil compartilhar seus escritos e um atendente de telemarketing Hare Krishna torcedor do Atlético Mineiro?

    Um filme de dramaturgia inusitada e um interessante hibridismo de ficção e documentário. Seus personagens vêm da vida real, levando para o filme seu dia a dia. Então o que faz dessas pessoas personagens de uma ficção? Que transformação é essa que se opera? É aquele poder que a encenação do cinema tem de dar à vida uma outra dimensão, outra valoração.

    O Céu Sobre os Ombros tem um aspecto curioso. Mesmo se dedicando a personagens/pessoas, de certa maneira assume que é impossível dar conta de uma vida num filme. Por isso, vemos Everlyn, Lwei e Murari por partes. São raros os momentos que os enxergamos de corpo inteiro (como na cena em que o escritor fuma). Seria por que o filme nos diz que é impossível entender o ser humano integralmente em um filme?

    Solidão na metrópole

    Há também nas entrelinhas do longa consagrado no Festival de Brasília de 2010 com cinco prêmios uma discussão sobre a autoria no cinema, comum à produção contemporânea independente brasileira. Sérgio Borges, que assina a direção, divide a autoria de seu filme com os três personagens que se autorrepresentam na tela, assim como com a produção, que pesquisou esses personagens entre a extensa população de Belo Horizonte, e a fotografia de Ivo Lopes Araújo.

    Todos esses aspectos levantados aqui, porém, dizem respeito à realização, à forma, aspecto que, apesar de fundamental e intrínseco ao cinema por ser a expressão de sua força, não conquista todos os espectadores. Para os outros, lembremos que O Céu Sobre os Ombros é um filme sobre a solidão e só consegue sê-lo por se concentrar no cotidiano dos personagens.

    Porque, talvez, ao mirarmos no cotidiano, encontramos questões que dizem respeito a todos nós: a quem realiza o filme, a quem se deixa olhar por ele e a quem observa de fora, permitindo ser penetrado pelo filme.

    Mas ele não deve ser entendido como um comentário sobre a incomunicabilidade como Encontros e Desencontros. O Céu Sobre os Ombros fala da solidão decorrente das escolhas radicais, de como as decisões que não conciliam são acompanhadas de isolamento. Sentimento compartilhado pelos três personagens da ficção documental de Sérgio Borges.

    Qual a chance de encontrar o amor para Everlyn numa sociedade conservadora? Como Lwei vai sobreviver sem publicar se as convenções da produção literária exigem o produto final como prova do talento? Como os mandamentos Hare Krishna se conciliam com a rotina maçante e alienada de uma central de telemarketing?

    Fala-se aqui da solidão do ato de assumirem quem são, cada um com sua identidade, e viver com isso. E isso pesa. São personagens do cotidiano que carregam seus céus sobre os ombros.

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