O CHEIRO DO RALO

O CHEIRO DO RALO

(O Cheiro do Ralo)

2006 , 112 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 23/03/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Heitor Dhalia

    Equipe técnica

    Roteiro: Heitor Dhalia, Marçal Aquino

    Produção: Marcelo Araújo, Matias Mariani, Rodrigo Abreu

    Fotografia: José Roberto Eliezer

    Trilha Sonora: Apollo

    Elenco

    Alice Braga, Flavio Bauraqui, Leonardo Medeiros, Lourenço Mutarelli, Selton Mello, Silvia Lourenço, Susana Alves

  • Crítica

    23/03/2007 00h00

    Baseado em romance homônimo escrito pelo desenhista Lourenço Mutarelli, O Cheiro do Ralo marca o segundo filme dirigido pelo diretor Heitor Dhalia (Nina). Neste filme, o cineasta imprime muito mais de sua marca com um humor negro afiado, cínico e tragicômico. Se em Nina o excesso de rigor estético torna o filme um tanto quando asséptico, O Cheiro do Ralo traz uma forte carga pessoal. O desprendimento pode não estar presente, mas existe um quê de sinceridade no filme, muito mais do que no anterior.

    Selton Mello interpreta Lourenço, dono de uma loja que compra objetos antigos. As pessoas que entram em sua pequena sala para se desfazer de antiguidades estão sempre precisando de dinheiro. Por isso, Lourenço aprende a explorá-las o máximo que pode. Com o tempo, acha que pode comprar tudo, até a bela mocinha do bar que cobiça na hora do almoço. O filme acompanha a trajetória de loucura do personagem, que, desapegado a quase tudo, começa a pirar quando compra um olho de vidro. E também com o cheiro de fezes que sai do ralo do banheirinho do seu escritório.

    Lourenço é mal-caráter, tem poucos escrúpulos, é decadente e não parece gostar de absolutamente nada a não ser das nádegas de seu maior objeto de desejo. Mesmo assim, sua canalhice é capaz de cativar o espectador pelo humor com a qual ela é tratada. Não é bonito ser Lourenço, mas os espectadores desprendidos de julgamentos morais - pelo menos durante os 112 minutos de filme - conseguem se divertir com isso, especialmente os capazes de enxergar humor na desgraça alheia e é exatamente esse ponto de vista cínico que O Cheiro do Ralo desperta.

    A direção de arte composta por Guta Carvalho é retrô e muito bem produzida, dando o aspecto atemporal da trama. Também chama atenção em O Cheiro do Ralo as atuações. Mello, como sempre, mostra por que é um dos atores mais talentosos de sua geração apresentando, sem sombra de dúvidas, uma de suas melhores performances. Apesar de não se parecer fisicamente com o Lourenço que Mutarelli descreve em seu livro, é capaz de encarnar muito bem o personagem criado pelo escritor. Também merecem destaque os coadjuvantes, especialmente Silvia Lourenço (elogiadíssima pela atuação em Contra Todos e melhor ainda aqui). A trilha sonora, composta por Apollo Nove, é divertida e envolvente o suficiente para enriquecer ainda mais esta comédia dramática.

    Para quem conhece o romance que inspirou o filme, resta dizer que a adaptação é muito bem feita. O roteiro, assinado por Dhalia e Marçal Aquino, preserva os momentos de tensão, humor e paranóia do livro, traduzindo fielmente a loucura do personagem em película.

    Pode anotar: O Cheiro do Ralo é uma das boas coisas que o cinema nacional tem a oferecer nos próximos meses. Premiado no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em 2006, foi exibido no Festival de Sundance - uma das principais vitrines do cinema independente mundial -, nos EUA, coberto de elogios da imprensa local.

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