O CIDADÃO DO ANO

O CIDADÃO DO ANO

(Kfraftidioten)

2014 , 116 MIN.

16 anos

Gênero: Ação

Estréia: 18/06/2015

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Hans Petter Moland

    Equipe técnica

    Roteiro: Kim Fupz Aakeson

    Produção: Finn Gjerdrum, Stein B. Kvae

    Fotografia: Philip Øgaard

    Trilha Sonora: Brian Batz, Kåre Vestrheim, Kaspar Kaae

    Estúdio: Det Danske Filminstitut, Paradox, Paradox Film 2

    Montador: Jens Christian Fodstad

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Anders Baasmo Christiansen, Atle Antonsen, Birgitte Hjort Sørensen, Bruno Ganz, David Sakurai, Goran Navojec, Jakob Oftebro, Jan Gunnar Røise, Kristofer Hivju, Pål Sverre Hagen, Peter Andersson, Sergej Trifunovic, Stig Henrik Hoff, Tobias Santelmann

  • Crítica

    17/06/2015 15h41

    Por Daniel Reininger

    Fazia tempo que tanto sangue não era derramado sobre o gelo e com tanto humor negro como em O Cidadão Do Ano. O primeiro filme que vem à cabeça é Fargo, dos irmãos Coen. A verdade é que o longa do diretor norueguês Hans Petter Moland poderia facilmente ser um filme dos irmãos, ou, ao menos, outra produção Hollywoodiana, principalmente pela enorme quantidade de mortes e intensidade com que seu protagonista (Stellan Skarsgård, de Os Vingadores) procura vingança pelo assassinato de seu filho.

    Na trama, Nils (Skarsgård) é um cidadão modelo que ganha a vida tranquilamente limpando neve por meio de sua empresa familiar. Quando seu único filho é encontrado morto, vítima de overdose, ele não acredita nas autoridades e percebe que algo estranho aconteceu. Após quase tirar a própria vida, descobre que estava certo e começa sua própria investigação. Se afasta cada vez mais de sua mulher, mas isso não mais importa para o personagem, pois ele só pensa em uma coisa: vingança.

    Aos poucos, começa uma cruzada contra a poderosa gangue comandada pelo "Conde" (Pål Sverre Hagen), que domina a região há anos. Seus atos ainda criam uma inesperada reação em cadeia: O antagonista passa a acreditar que o desaparecimento de seus homens tem a ver com a rival máfia sérvia, liderada por Papa (Bruno Ganz). Sem pensar, o mimado herdeiro do crime começa uma guerra com o grupo competidor, uma luta da qual nenhum dos dois lados pode sair vitorioso. A situação é mais do que conveniente para Nils continuar sua caçada.

    Com ótima atuação, Skarsgård é o retrato do caçador inteligente e calmo nessa nova parceria com o diretor Hans Petter Moland, algo que começou em 1995 com Zero Kelvin. Já o Conde é o epítome do Eurotrash pretensioso. Cruel e infantil, mostra seu lado mais patético quando discute com sua ex-mulher (Birgitte Hjort Sorensen) sobre a custódia do filho. O personagem caricato e divertido é grande fonte de humor do longa. Já o sombrio Papa, o chefão sérvio (vivido pelo ótimo Bruno Ganz, de A Queda! As Últimas Horas De Hitler), é um gangster old-school sério e focado, embora não menos interessante.

    Destaque também para o design de produção de Jorgen Stangebye Larsen. As diferenças entre o Conde, Papa e Nils são claras até nas decorações de suas casas, a primeira minimalista e moderna, a outra escura e clássica e a última mais familiar. A neve e as paisagens desoladas ganham vida com a fotografia inspirada de Philip Øgaard, que utiliza o ambiente como um importante elemento, abusando de tomadas panorâmicas. Faz sentido, afinal a neve é de extrema importância para a trama, já que está sempre presente e funciona como metáfora para a falta de emoção de todos os envolvidos na carnificina. Além disso, Nills remove seus inimigos como faz com a neve – de forma lenta e constante.

    O filme é um mix sutil de contrastes, capaz de mudar do tom de tragédia familiar para a violência impiedosa com ótimos momentos de humor social, sempre com muita fluidez. Inteligente, estranho e curiosamente engraçado, O Cidadão do Ano é mais uma ótima produção de Hans Petter Moland e realmente é muito mais interessante do que seu fraco título brasileiro dá a entender.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus