O CLUBE

O CLUBE

(El Club)

2015 , 98 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 01/10/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Pablo Larraín

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniel Villalobos, Guillermo Calderón, Pablo Larraín

    Produção: Juan de Dios Larraín, Pablo Larraín

    Fotografia: Carlos Cabezas

    Trilha Sonora: Carlos Cabezas

    Estúdio: Fabula

    Montador: Sebastián Sepúlveda

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Alejandro Goic, Alejandro Sieveking, Alfredo Castro, Antonia Zegers, Catalina Pulido, Diego Muñoz, Erto Pantoja, Francisco Reyes, Gonzalo Valenzuela, Jaime Vadell, José Soza, Marcelo Alonso, Paola Lattus, Roberto Farías

  • Crítica

    30/09/2015 15h02

    Por Daniel Reininger

    O Clube, vencedor do Urso de Prata no festival de Berlim 2015, acompanha a história de padres pecadores, mantidos em reclusão em busca de arrependimento. Com bela fotografia e grandes atuações, o filme discute as relações de poder, pedofilia, integridade da Igreja Católica e o mal inerente mesmo em pessoas que acreditam fazer o bem. O chileno Pablo Larraín (No) cria um drama psicológico complexo, sem medo de explorar assuntos delicados e incômodos.

    Depois de abordar em três filmes a ditadura militar de Augusto Pinochet no Chile, o diretor cria um drama original marcado por grandes atuações, mas ainda dentro de seu tema preferido: a opressão dos mais fortes aos mais fracos - o alvo da crítica: a Igreja Católica. O tal Clube do título não é um local de diversão de padres e sim uma espécie de retiro clandestino para padres envolvidos em escândalos, uma maneira silenciosa de punição imposta pelo Vaticano.

    Eles residem em uma casa pequena e modesta na cidade praiana de La Boca. Padres Vidal (Alfredo Castro) e Ortega (Alejandro Goic), o ex-capelão do exército Pai Silva (Jaime Vadell), e o senil Ramirez (Alejandro Sieveking) são cuidados e observados pela Irmã Monica (Antonia Zegers). De dia, eles comem, assistem televisão e mantém distância dos habitantes locais, mas dedicam bastante tempo ao treinamento de seu cachorro de corridas, que esperam colocar em competições nacionais.

    Sim, o local mais parece um retiro de férias para aposentados do que uma punição. A sensação de tranquilidade é reforçada por Larraín com tomadas do por do sol, da praia e do dia a dia na casa, ao som da trilha sonora bucólica do compositor Arvo Part – antes de sabermos o motivo de esses homens estarem no local, parece ser a calma que domina suas vidas. Só que as coisas mudam quando um homem, abusado na infância, encontra a casa.

    Boa parte do filme se desenrola como parte de um interrogatório entre um investigador do Vaticano que chega posteriormente ao incidente relatado acima e os sacerdotes punidos. Até a Irmã Monica entra na dança e tenta defender o local e seus ocupantes a todo custo, inclusive passando do limite do bom senso e levando outros personagens a fazerem o mesmo. Uma das forças de O Clube é a capacidade de instigar a imaginação do espectador, Larraín prefere sugerir atrocidades ao invés de mostrá-las.

    Mestre em criar atmosferas pesadas, Larraín se supera aqui ao explorar o ambiente hermético do clube a ponto de fazer o próprio espectador se sentir aprisionado e sem saída. Mas o cineasta também é talentoso na direção dos atores, Castro é destaque, mas todo o elenco é forte e entrega atuações magníficas.

    O Clube não é um filme fácil, mas é muito bem construído, com ritmo cadenciado, que se acelera perto do clímax, e consegue atingir exatamente os pontos que pretendia. A conclusão é o momento em que a obra se completa, afinal a beleza estética, com uso dramático de luz e câmera desfocada, roteiro inteligente e discurso afiado se combinam para um desfecho sarcástico e inesperado.

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