O CONCERTO

O CONCERTO

(Le Concert)

2009 , 123 MIN.

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 24/12/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Radu Mihaileanu

    Equipe técnica

    Roteiro: Alain-Michel Blanc, Matthew Robbins, Radu Mihaileanu

    Produção: Alain Attal

    Fotografia: Laurent Dailland

    Trilha Sonora: Armand Amar

    Estúdio: Wild Bunch

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Dmitri Nazarov, François Berléand, Laurent Bateau, leksey Guskov, Lionel Abelanski, Mélanie Laurent, Miou-Miou, Valeriy Barinov

  • Crítica

    28/12/2010 09h00

    O cineasta romeno Radu Mihaileanu conseguiu de novo. Depois de escrever e dirigir um dos melhores filmes dos anos 90 – O Trem da Vida – Radu apresenta seu genial O Concerto, filme coproduzido por nada menos que cinco países: França, Itália, Bélgica, Rússia e Romênia. Um verdadeiro tour de force europeu que traz como tema exatamente as aventuras, desventuras, ironias, dramas e comédias de tornar a União Europeia uma efetiva... união.

    A idéia original é de Héctor Cabello Reyes e Thierry Degrandi, praticamente dois desconhecidos no mercado cinematográfico. Eles desenvolveram a incrível história de Andrey (Alekesey Guskov), famoso maestro da antiga União Soviética que, por motivos que só saberemos ao final do filme, caiu em desgraça com o então todo-poderoso premiê Leonid Brejnev, e hoje é apenas um faxineiro do Teatro Bolshoi, em Moscou. Tudo caminha melancolicamente na vida de Andrey, até o dia em que acidentalmente intercepta um fax encaminhado ao diretor do Teatro, solicitando a contratação da orquestra do Bolshoi para uma apresentação de gala no conceituado Teatro Châtelet de Paris. É a chance de sua vida! Sem imaginar as consequências, o ex-maestro decide enganar o verdadeiro Bolshoi e ele próprio se apresentar na capital francesa. Mas, para isso, terá de montar uma orquestra inteira... em 15 dias.

    Assim tem início uma louca, divertida e satírica empreitada bastante parecida por sinal com a doce maluquice da proposta básica de O Trem da Vida: criar uma grande farsa para iludir e tirar proveito dos aproveitadores do poder. Em ambos os casos, de ambos os filmes, o humor e o imponderável estão a cargo do sarcasmo social. Mais do que formar uma orquestra de Brancaleone, o grande maestro na verdade rege aqui a própria identidade europeia, multifacetada, fragmentada, mas com talento e garra suficientes para criar uma união que - talvez - traga benefícios a todas estas pequenas e enraizadas culturas que se convencionou chamar de Europa. Uma fragmentação que encontra na perfeita sintonia obtida num concerto erudito sua mais fiel analogia.

    E mais: o filme é um verdadeiro resgate da dignidade russa pós-esfacelamento da União Soviética. Num primeiro momento, a título de comédia, O Concerto parece até exagerar na dose de preconceitos contra os eslavos, pintando-os como embriagados e irresponsáveis. Aos poucos, porém, percebe-se que Mihaileanu está apenas carregando de forma proposital nas tintas da maquiagem do palhaço, para nos momentos finais revelar toda a beleza e o poder de recuperação desta cultura tão grandiosa que foi por décadas ridicularizada pela Guerra Fria, pelos donos da mídia ocidental, e pela incompetência de vários de seus próprios dirigentes políticos.

    Tudo isso com um humor encantador, um ótimo ritmo de comédia, e um belo roteiro que guarda boas surpresas para o final. Indicado a quatro prêmios César (ganhou os de Som e Trilha Sonora) e ao Globo de Ouro de Melhor Filme em língua não inglesa, O Concerto é uma das melhores produções que vimos no circuito comercial brasileiro em 2010.

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