Pôster do filme O Concurso

O CONCURSO

(O Concurso)

2013 , 87 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 19/07/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Pedro Vasconcelos

    Equipe técnica

    Roteiro: L.G. Tubaldini Jr., Leonardo Levis

    Produção: Flávio R. Tambellini, LG Tubaldini Jr, Pedro Vasconcelos

    Fotografia: Hélcio Alemão Nagamine

    Estúdio: Globo Filmes, Tambellini Filmes

    Montador: Renato Martins

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme

    Elenco

    Anderson De Rizzi, Carol Castro, Danton Mello, Emiliano Queiroz, Fábio Porchat, Jackson Antunes, Nelson Freitas, Pedro Paulo Rangel, Rodrigo Pandolfo, Sabrina Sato, Sandra Pêra

  • Crítica

    17/07/2013 19h00

    A distância entre a boa ideia e a execução competente pode ser longa no cinema. No Brasil são inúmeros os casos de filmes com histórias cheias de potencial cinematográfico que naufragam por serem desenvolvidas de forma tacanha. O Concurso é mais um a entrar para a lista. O longa de mote atraente, dirigido pelo estreante em cinema Pedro Vasconcelos, é mal roteirizado e não consegue nem ao menos o objetivo elementar de uma comédia, que é fazer rir. As piadas que funcionam são como pequenas e distantes ilhas rodeadas de humor ineficaz por todos os lados.

    No filme somos apresentados logo de cara a quatro mentes brilhantes, cada uma de uma parte do Brasil: o paulista do interior Bernardo (Rodrigo Pandolfo), o carioca Caio (Danton Mello), o gaúcho Rogério Carlos (Fábio Porchat) e o cearense Freitas (Anderson Di Rizzi). Eles se classificaram para a última fase do concurso para juiz federal e a prova será no Rio de Janeiro. Encontram-se 48 horas antes do exame para o credenciamento e, a partir daí, passam um fim de semana de confusões no capital carioca.

    Tratar do universo dos chamados concurseiros, gente abnegada que se dedica ao longo de anos a passar num concurso público, foi bem sacada e original. Mas a genuinidade termina na ideia central. As piadas e situações cômicas são manjadas, batidas, e sem nenhuma originalidade. Muito do humor gira em torno de estereótipos regionais, como o carioca malandro, o gaúcho de Pelotas gay, o paulista tímido e o cearense religioso e aplicado. Nada mais óbvio.

    Os realizadores esquecem também que cinema pode prescindir da verdade, mas não pode abrir mão da verossimilhança. São diversas as situações ao longo do filme que não se justificam, que não soam razoáveis mesmo considerando que estamos assistindo a uma comédia. Não é plausível, por exemplo, o sequestro nonsense de um dos protagonistas por um grupo de travestis, não é acreditável tampouco que tentem conseguir o gabarito da prova e este esteja com um traficante de drogas, não são críveis também muitos dos diálogos e situações, que soam forçadas. Para completar, temos personagens mal construídas e sem função alguma na trama, como Martinha Pinel, a gostosona tarada pelo personagem Bernardo vivida por Sabrina Sato.

    O elenco principal não compromete, todos se esforçam para dar verdade a seus personagens, mas são prejudicados pelo roteiro capenga. Danton Mello (Vai que dá Certo) mostra-se mais à vontade em fazer humor e leva às telas um carioca convincente e divertido (o ator é mineiro). Rodrigo Pandolfo também está ótimo como um paulista do interior. Anderson Di Rizzi fazendo um cearense e Fábio Porchat como gaúcho estão um pouquinho aquém, mas têm seus deslizes evidenciados por um entorno problemático, afinal, quando as deficiências pululam na tela seu cérebro tende a contabilizá-las, daí até o sotaque de gaúcho nada convincente de Porchat entra na conta.

    Situações improváveis mal dirigidas, diálogos pobres e artificiais, piadas fracas e nada originais fazem de O Concurso mais uma daquelas comédias brasileiras frustrantes para o espectador. Este espera rir e não ri, anseia que façamos um cinema de melhor qualidade no país, mas nota que ainda temos dificuldade para fazer o trivial: contar uma história.

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