O CORVO (2012)

O CORVO (2012)

(The Raven)

2012 , 111 MIN.

14 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 18/05/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • James McTeigue

    Equipe técnica

    Roteiro: Ben Livingston, Hannah Shakespeare

    Produção: Aaron Ryder, Marc D. Evans, Trevor Macy

    Fotografia: Danny Ruhlmann

    Trilha Sonora: Lucas Vidal

    Estúdio: FilmNation Entertainment, Galavis Film, Intrepid Pictures, Pioneer Pictures

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Aidan Feore, Alice Eve, Ana Sofrenovic, Brendan Coyle, Brendan Gleeson, Dave Legeno, Ian Virgo, Jason Ryan, Jimmy Yuill, John Cusack, Karen Strassman, Kevin McNally, Luke Evans, Oliver Jackson-Cohen, Pam Ferris, Péter Fancsikai, Sam Hazeldine, Sergej Trifunovic

  • Crítica

    14/05/2012 20h00

    Por Daniel Reininger

    Dar vida à conturbada imaginação de Edgar Allan Poe, reviver os seus últimos dias de vida e ainda dar nova luz à sua morte misteriosa (ele foi encontrado delirando nas ruas de Baltimore, repetindo o nome Reynolds antes de falecer quatro dias depois em um hospital) parecia a receita ideal para atiçar a curiosidade de qualquer fã de suspense e do escritor. Sensação reforçada pelas primeiras cenas de O Corvo, inspiradas em um de seus contos mais famosos: Os Assassinatos da Rua Morgue.

    Infelizmente, passado o bom momento inicial, no qual a polícia descobre o cadáver de uma mãe degolada em um apartamento, com todas as portas e janelas trancadas por dentro, e o corpo da filha de ponta cabeça dentro da chaminé, começa a ficar claro que O Corvo não é nada mais do que um show de oportunidades perdidas e situações embaraçosas. O filme joga no liquidificador alguns dos contos mais famosos de Poe e os coloca em meio a um thriller extremamente chato.

    A trama é simples: um serial killer encena as histórias do autor e deixa um rastro de pistas e corpos em seu caminho, até que eventualmente a namorada (fictícia) do escritor, Emily Hamilton (Alice Eve), é raptada e cabe a Poe usar sua esperteza e capacidade literária (ou quase isso) para encontrar a garota antes que seja tarde. E assim começa a sequência de clichês, como lábios costurados, uma cena em uma ópera, e, é claro, um baile de fantasias.

    Poe foi um escritor atormentado por uma sequência de perdas e dificuldades, muitas vezes descrito como um homem desagradável e intolerante. John Cusack bem que tenta trazer o lado sombrio, autodestrutivo e arrogante de Poe à tona, mas acaba com uma interpretação superficial e exagerada, em mais uma de suas fracas atuações. Nem mesmo o alcoolismo, um problema sério em sua vida, tem peso na telona.

    As encenações dos contos também ficam devendo. Depois dos Assassinatos da Rua Morgue, O Barril de Amontillado é um dos melhores momentos, com uma referência excelente a Fortunato como nome de um navio. No entanto, O Mistério de Marie Roget é mostrado de forma rasa, O Abismo e o Pêndulo é simplificado ao extremo e perde todo o sentido e peso, e A Máscara da Morte Rubra serve apenas como gancho para atrair o protagonista a um jogo mortal.

    No final das contas, O Corvo é uma mistura bizarra de Jogos Mortais com A Lenda do Tesouro Perdido, no qual os protagonistas devem correr atrás de pistas aleatórias a cada cadáver que aparece. A própria presença de Poe durante as investigações não tem relevância alguma, pois ele não chega a nenhuma conclusão lógica (ou macabra), não desvenda as motivações por trás dos assassinatos, não faz nada além de, por repetidas vezes, afirmar que tal assassinato é ligado a tal conto, o que fragiliza ainda mais o filme.

    O maior pecado do diretor James McTeigue (V de Vingança) foi ignorar a atmosfera densa, gótica e atormentada que Poe colocava em seus contos e poemas. Além disso, o longa não procura dar profundidade alguma aos personagens, não explora as cenas dos crimes, perde a chance de fazer análises inteligentes e levantar informações relevantes sobre cada uma delas, e coloca de forma aleatória elementos recorrentes nas obras do escritor (como cadáveres escondidos em paredes) sem adicionar nada de misterioso, assustador ou paranoico.

    Embora parta de uma premissa interessante, mesmo que improvável, o filme é decepcionante no geral. Não funciona como thriller nem como conto gótico, nem mesmo como versão alternativa de uma história conturbada que levanta dúvidas há mais de 150 anos. Serve apenas para reafirmar que a péssima fase de John Cusack, que não emplaca um bom filme há uma década, ainda não acabou.



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