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O DESTINO DE JÚPITER

(Jupiter Ascending)

2014 , 127 MIN.

12 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 05/02/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Andy Wachowski, Lana Wachowski

    Equipe técnica

    Roteiro: Andy Wachowski, Lana Wachowski

    Produção: Andy Wachowski, Lana Wachowski

    Fotografia: John Toll

    Trilha Sonora: Michael Giacchino

    Estúdio: Village Roadshow Pictures, Warner Bros

    Montador: Alexander Berner

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Alexandra Fraser, Ancuta Breaban, Channing Tatum, Charlotte Beaumont, Christina Cole, David Ajala, Demi Kazanis, Dilyana Bouklieva, Doona Bae, Douglas Booth, Eddie Redmayne, Eric Ian, Gugu Mbatha-Raw, James D'Arcy, Jeremy Swift, Jo Osmond, Katherine Cunningham, Kick Gurry, Luke Neal, Maria Doyle Kennedy, Mila Kunis, Neil Fingleton, Nikki Amuka-Bird, Sean Bean, Simon Dutton, Spencer Wilding, Tamela D'Amico, Terry Gilliam, Tim Pigott-Smith, Tuppence Middleton, Vanessa Kirby

  • Crítica

    05/02/2015 14h00

    Por Daniel Reininger

    Visualmente espetacular, O Destino de Júpiter apresenta um mundo bastante criativo e está repleto de cenas de ação empolgantes, pena que esses elementos são atrapalhados pelo fraco roteiro e história simplória. Esses fatores tiram toda chance desta ficção-científica ser lembrada além de mais uma obra de extremo potencial desperdiçado dos irmãos Wachowski. A produção é a primeira tentativa dos criadores de Matrix de realizar uma obra espacial com elementos Pulp e conseguem algo muito interessante no papel, mas que não funciona na telona.

    Os problemas já começam pela premissa. A história segue uma imigrante russa chamada Jupiter Jones (Mila Kunis), cuja profissão é limpar casas nos Estados Unidos. Ela nem imagina que possui o DNA exato da matriarca de uma poderosa família galáctica e, por isso, é considerada herdeira legítima da casa, o que lhe dá direito sobre a Terra. Não bastasse esse detalhe conveniente, nosso planeta é também tratado como o bem mais valioso da galáxia e isso inicia a guerra entre três irmãos, os quais tentam influenciar Jupiter.

    Com isso, o mais velho da família de aristocratas, Balem, pessimamente interpretado por Eddie Redmayne, envia mercenários para assassinar Júpiter. Enquanto isso, outro mercenário geneticamente modificado chamado Caine (Channing Tatum) chega à Terra para resgatá-la e revela à garota um universo de possibilidades. Essencialmente, Kunis é a nossa ligação com o conflito intergaláctico e a atriz faz bom trabalho, dentro do possível, ao oferecer equilíbrio entre ingenuidade e determinação, como acontece com Keanu Reeves em Matrix.

    Se a premissa não podia ser mais batida, ao menos o Destino de Júpiter é ambicioso. É possível perceber a atenção dos Wachowski aos detalhes desse universo que mistura ciência, mitologia e religião para criar algo único. Visualmente interessante, naves e construções apresentam lindo design gótico, bem diferente do que estamos acostumados nos cinemas, inspiração de animes e quadrinhos. Os efeitos especiais são ótimos, embora, algumas vezes, seja possível perceber falhas de finalização em determinadas sequências. A parte sonora também funciona bem, com trilha instrumental muito interessante, cujo único problema é ser utilizada em exagero a cada cena de ação.

    A ação, por sinal, não deixa nada a desejar. Os irmãos sabem como conduzi-la como ninguém e são capazes de criar tensão a cada momento. Uma perseguição pelas ruas de Chicago é o ápice do filme, mas outros bons momentos também estão presentes. Sem dúvida, a bota antigravidade de Caine abre um leque de possibilidades para os combates e, quando bem utilizada, se mostra uma ferramenta narrativa interessante.

    Exatamente por esses bons pontos que é triste ver o longa ser destruído minuto a minuto pela sua história boba e roteiro fraco, repleto de clichês, diálogos mal construídos e situações amorosas totalmente fora de contexto. O romance entre Júpiter e Caine não só não funciona, como atrapalha a trama, especialmente se consideramos que a relação dos dois deveria ser o coração do filme.

    Como acontece em Cloud Atlas, o ritmo também possui sérios problemas. Por vezes, o texto dá importância demais a questões maçantes e deixa de explorar pontos que poderiam ser infinitamente mais interessantes. O fato de tudo girar em torno da salvação da Terra também é cansativo. Pior ainda quando o arco final possui duas situações extremamente parecidas, com vilões diferentes, mas com os envolvidos tomando atitudes semelhantes e, é claro, resoluções idênticas.

    Aos poucos, tudo capaz de fazer Destino de Júpiter interessante se perde. Os irmãos deixam de explorar um universo rico, bem construído e acabam por utilizar apenas as facetas mais simplórias para contar uma história boba. A trama, que parecia buscar inspiração no clássico Duna e em mundos criados por autores como William Gibson e China Miéville, passa a abusar cada vez mais de convenções da ficção-científica e perde totalmente o fator novidade. O jeito, agora, é torcer por uma série de TV ou videogame que explore esse mundo como deveria.

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