O DIA EM QUE O BRASIL ESTEVE AQUI

O DIA EM QUE O BRASIL ESTEVE AQUI

(O Dia em que o Brasil Esteve Aqui)

2006 , 72 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Caito Ortiz, João Dornelas

    Equipe técnica

    Roteiro: Caito Ortiz, Fábio Altman, João Dornelas

    Produção: Adriano Civita

    Fotografia: Cristiano Wiggers

    Estúdio: Prodigo Films

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O dia 18 de agosto de 2004 ainda deve estar registrado na memória de milhares de haitianos. A data marcou a partida de futebol do único país pentacampeão mundial contra a seleção da casa, no intitulado “Jogo da Paz”, realizado sob a tentativa de minimizar a tensão entre a população do Haiti e os soldados brasileiros enviados pela ONU à cidade de Porto Príncipe, para controlar os nervos contra um novo golpe após a deposição do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide.

    Os diretores Caito Ortiz (premiado pelo seu documentário Motoboys_Vida Loca na 27ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo) e João Dornellas, juntamente com o roteirista Fábio Altman, aproveitaram inteligentemente o contexto histórico para registrar os bastidores daquele acontecimento excepcional em um dos paises mais miseráveis do planeta e de que maneira ele influiria no comportamento na sociedade haitiana.

    Pontos positivos em O Dia Em Que O Brasil Esteve Aqui existem, mas não são plenos. Um deles é o fato de algumas observações, que, aparentemente, ficariam de fundo, são questionadas pelos entrevistados. A conseqüência da realização da partida é debatida pelo jornalista esportivo Patrice Dumont, por exemplo, observando que o principal jogo naquele instante era o político, ao ressaltar a ambição do Brasil por um lugar de maior destaque no Conselho de Segurança da ONU, usando a favor sua principal arma: o futebol.

    Outro aspecto marcante é o do encontro com os soldados brasileiros, quando são acompanhados na distribuição dos panfletos pelas ruas sobre a realização da partida. É inevitável não se comover com o entusiasmo das pessoas por algo meramente simples. Devotos da “seleção canarinho”, com muitos jogadores considerados até deuses no país - como Ronaldo, Ronaldinho e Roberto Carlos -, os haitianos recebem os craques e a comissão técnica como pop stars em Porto Príncipe. A cidade inteira lota as ruas para o desfile da seleção, protegida por soldados em carros blindados.

    Mas, se sobraram espontaneidade e imparcialidade na captação do momento ao invadir com as câmeras digitais o discurso e a disposição eufórica da população nos bastidores, faltou ousadia em registrar - ou apresentar - melhor os depoimentos dos principais elementos naquele evento, como o Presidente Luis Inácio Lula da Silva, o capitão das tropas brasileiras, o então primeiro-ministro haitiano ou até mesmo os “heróis” do gramado. Enfim, faltou uma narrativa mais elaborada, como explicar o porquê do Brasil sair com a imagem de ser o “primo rico” de uma nação marginalizada. Simplificando, deixou de apresentar aquele gostinho a mais, causando talvez a mesma frustração que os cidadãos haitianos sentiram após a passagem mais do que relâmpago da seleção por lá.

    O resultado – não o 6 x 0 aplicado pelo Brasil contra o Haiti – é que O Dia Em Que O Brasil Esteve Aqui, apesar de ter um tema escolhido pelos realizadores com muita pertinência, foi explorado de forma irregular.

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