O Doador de Memórias

O DOADOR DE MEMÓRIAS

(The Giver)

2014 , 97 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 11/09/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Phillip Noyce

    Equipe técnica

    Roteiro: Michael Mitnick

    Produção: Jeff Bridges, Neil Koenigsberg, Nikki Silver

    Fotografia: Ross Emery

    Estúdio: As Is Productions, Tonik Productions, Walden Media

    Montador: Barry Alexander Brown

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Alexander Skarsgård, Brenton Thwaites, Cameron Monaghan, Emma Tremblay, Irina Miccoli, Jeff Bridges, Katharina Damm, Katie Holmes, Meryl Streep, Odeya Rush, Taylor Swift

  • Crítica

    10/09/2014 17h42

    Por Daniel Reininger

    O Doador de Memórias chega um pouco tarde em relação a outros filmes do gênero, apesar do livro ter sido escrito antes de Divergente, Jogos Vorazes e Harry Potter. A adaptação consegue recriar o clima de complacência exagerada da trama e faz uso de técnicas visuais para mostrar as mudanças do protagonista, mas, mesmo assim, o longa falha em criar uma história coesa ou interessante e deve desapontar até mesmo os fãs.

    Nesta adaptação do best-seller de Lois Lowry, Jonas (Brenton Twaites) foi criado para acreditar que a conformidade é a base do contentamento. Quando é selecionado para se tornar o Recebedor, descobre que a sociedade é pacífica devido a memórias coletivas terem sido apagadas e relegadas apenas ao Doador (Jeff Bridges), uma figura misteriosa que guarda o passado sombrio da humanidade. Só que Jonas não aguenta a verdade e decide mudar as coisas.

    No começo, tudo é preto e branco. Conforme o protagonista descobre o passado da humanidade e as emoções, o mundo começa a ganhar cores. Primeiro o cabelo da mulher amada, depois todo o resto. Aos poucos, sempre acompanhado por mudanças na fotografia da produção, ele percebe o quanto está deixando de lado para viver em paz e percebe como é grande o custo – ao menos é o que o roteiro quer nos forçar a acreditar eventualmente.

    Diferente de Equilibrium, no qual fica claro desde o início que a supressão das emoções é um problema sério e a humanidade não está nem um pouco melhor sem elas, em Doador de Memórias o futuro, de fato, parece promissor. As emoções não são totalmente suprimidas, então as pessoas chegam a demonstrar sentimentos, o governo não é tão autoritário como obras distópicas como 1984 e a paz e harmonia são, de fato, realidades.

    Por isso, quem não leu o livro, tem dificuldades de entender o motivo da indignação de Jonas. Talvez percebendo essa falha em desenvolver conflitos, o longa apela para assassinato de bebês para justificar a luta contra esse mundo "absurdo". Só aí, lá pela metade para o final do filme, fica clara a verdadeira situação obscura da sociedade, mas aí já é tarde demais para criar alguma empatia pelo protagonista e sua luta.

    Na verdade, com exceção de Jogos Vorazes, filmes adolescentes com temáticas distópicas têm dificuldades para criar mundos realmente problemáticos, de forma que as razões para a luta contra o sistema ficam mais próximas da rebeldia normal dos adolescentes do que lutas sociais de fato. Sim, essas obras são metáforas exatamente para isso, entretanto quando a ideia é construir uma narrativa interessante é preciso criar algo completo, capaz de engajar o espectador que também não está passando por essa fase da vida.

    Dito isso, para um filme de ficção-científica com orçamento de apenas US$ 30 milhões, a direção de arte impressiona. O design das comunidades remonta aos ideais de meados do século XX, com elegantes habitações modulares e instalações estéreis, que contrastam com a casa do doador, que é confusa, repleta de madeira e livros. Os efeitos também agradam, especialmente os drones utilizados para vigiar a comunidade.

    O elenco traz boa mistura de novos talentos e atores veteranos e, curiosamente, o protagonista é o pior deles. Falta Twaites convencer o espectador que está relamente começando a sentir algo, e são os seus amigos, interpretados por Odeya do Rush e Cameron Monaghan, que fazem melhor trabalho. Sobre os veteranos, Bridges oferece um desempenho sólido, embora já o tenhamos visto como esse tipo de personagem outras vezes. Maryl Streep mostra frieza no papel da chefe anciã, mas não causa medo como o diretor provavelmente pretendia, afinal ela não é má, apenas defende o sistema.

    O Doador de Memórias sofre em diversos momentos com a falta de lógica ao usar atalhos, que nem sempre funcionam, para encurtar a trama do livro. Como consequência, existem furos no roteiro e elementos importantes da mitologia ficam sem explicação, como a capacidade do doador e do recebedor trocarem lembranças. Apesar de nunca empolgar, é o final que tira o espectador do sério, afinal as incoerências são grandes demais e a resolução absurda e anticlímax. Pelo jeito tem coisas que, de fato, são melhores se forem esquecidas.

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