Pôster do filme O Dono do Jogo

O DONO DO JOGO

(Pawn Sacrifice)

2014 , 115 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 28/04/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Edward Zwick

    Equipe técnica

    Roteiro: Steven Knight

    Produção: Edward Zwick, Gail Katz, Tobey Maguire

    Fotografia: Bradford Young

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Gail Katz Productions, Material Pictures, MICA Entertainment, PalmStar Media

    Montador: Steven Rosenblum

    Distribuidora: PlayArte

    Elenco

    Aiden Lovekamp, Alexandre Gorchkov, Bobo Vian, Brett Watson, Conrad Pla, Edward Zinoviev, Evelyne Brochu, Igor Ovadis, Joe Cobden, Katie Nolan, Liev Schreiber, Lily Rabe, Michael Stuhlbarg, Peter Sarsgaard, Robin Weigert, Seamus Davey-Fitzpatrick, Shawn Campbell, Sophie Nélisse, Tobey Maguire, Vitali Makarov

  • Crítica

    27/04/2016 16h35

    Por Daniel Reininger

    O Dono Do Jogo é um filme sobre uma lenda do esporte que mudou o status quo com jogadas incríveis. E, como todo filme do gênero, a superação dos próprios limites é o grande ponto. A diferença é que o assunto aqui é xadrez, então não espere grandes cenas de ação envolvendo times rivais – a tensão e a pressão dos campeonatos são aspectos psicológicos e a única maneira de saber que algo foi épico é quando os personagens nos avisam disso.

    Esse é um grande problema para O Dono do Jogo. Sua narrativa segue o formato padrão desse estilo de filme, o que já mostra falta de criatividade, mas fica realmente problemático quando precisamos acompanhar jogadas dos Mestres do Xadrez por longos minutos, sem saber bem quem está levando vantagem.

    A forma como as disputas são filmadas é a mesma de tantos outros filmes de esportes, enfatizando a tensão e momentos decisivos, mas a diferença é que falta ação. Mesmo que não estejamos familiarizados com Baseball, por exemplo, não é difícil entender que jogar a bola para fora do campo enquanto jogadores correm pelo campo comemorando é algo bom. Enquanto no xadrez, sacrificar um cavalo pode ter o mesmo impacto, porém, se ninguém explicar, os leigos ficarão perdidos, até pela falta de reação dos jogadores – sempre muito sérios e concentrados.

    O filme conta a história da lenda norte-americana do xadrez Bobby Fischer (Tobey Maguire), que enfrenta o também lendário Boris Spassky (Liev Schreiber) no Campeonato Mundial. O estado mental de Fisher é um aspecto importante e mais interessante do que as disputas em si, pena que é mal explorado. Sua condição, de fato, afeta quase todas as suas ações na narrativa, mas vemos mais o impacto disso nas competições do que em sua vida pessoal, com exceção de uma única cena, na qual busca ajuda de sua irmã.

    Essa ótima cena deixa claro que o foco da obra deveria ter sido sua vida pessoal e não o sucesso profissional. Os momentos mais tensos de sua vida, entre 1972 e 2008, são simples notas alternadas por gravações de arquivo exibidas no final do filme, enquanto deveriam ser o foco da obra.

    Na verdade, nada é aprofundado e as soluções são sempre simples, sem muita explicação. Como e porque Bobby passa a ser influenciado por extremistas religiosos? Como surgiram os problemas com sua mãe? Qual a razão de sua paranoia? O filme comenta que os maiores jogadores de xadrez parecem sofrer de alguma instabilidade mental, mas isso é algo relacionado ao jogo ou o jogo é uma escapatória para quem já sofre com esses problemas? E o que faz Bobby mudar de ideia nos principais momentos do filme? Nada é justificado.

    Apesar disso, o longa ganha muito com grandes atuações de Michael Stuhlbarg como advogado e agente Paul Marshall, homem que coloca Bobby no caminho do estrelato, padre Lombardy (Peter Sarsgaard), apoio psicológico de Bobby, e do próprio Tobey Mcguire como protagonista assombrado por paranoias e profunda instabilidade mental.

    A ambientação dos anos 1960 é bem feita e as tensões da Guerra Fria dão o tom de urgência ao filme. Só que, no final, a história não traz nada novo, ao ponto de lembrar bastante Rocky IV. A narrativa não inova e o drama raso não é capaz de tocar realmente. Com isso, Dono do Jogo se torna um filme descartável, que toca a superfície da vida de um gênio atormentado, sem realmente contar sua história como deveria.

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