O Duelo

O DUELO

(O Duelo)

2014 , 109 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 19/03/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcos Jorge

    Equipe técnica

    Roteiro: Marcos Jorge

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Cláudia Raia, Joaquim de Almeida, José Wilker, Márcio Garcia, Milton Gonçalves, Patrícia Pillar, Sandro Rocha, Tainá Müller

  • Crítica

    18/03/2015 14h50

    Baseado no livro Os Velhos Marinheiros, de Jorge Amado, o filme O Duelo, do diretor Marcos Jorge, traz o último trabalho de José Wilker, falecido em 5 de abril de 2014, no cinema. E a oportunidade de ver o grande ator brasileiro pela última vez na telona é o maior destaque de uma adaptação que traz pouco do seu autor original, conhecido por retratar os costumes baianos.

    Mesmo com a trama se passando no estado do nordeste, os personagens não trazem o sotaque característico da região, como acontece em Gabriela, Cravo e Canela e Dona Flor e Seus Dois Maridos, que também foram para a televisão. Claro que isso não compromete a diversão e o andamento do filme, mas o fã mais assíduo do escritor vai notar essa ausência.

    É verdade que o enredo prende a atenção com uma premissa que busca discutir a construção do que é verdade e mito. No entanto, nota-se que falta profundidade no principal ponto da trama, que é justamente o duelo entre os protagonistas Vasco Moscoso de Aragão (Joaquim De Almeida) e Chico Pacheco (José Wilker). Com a obra original chamada Os Velhos Marinheiros, a produção resolveu trocar o título para algo que descrevesse melhor a história.

    Não é o que acontece na tela. Apesar de existir uma clara disputa entre os dois para ver quem é o mais popular, há poucas cenas em que Vasco e Chico se confrontam. O único momento em que vemos isso é durante um jogo de pôquer no bar da cidade. E isso é pouco para um filme que o tempo inteiro instiga o duelo entre os dois. O fato é que isso compromete o andamento da trama e acaba frustrando o espectador, que fica na espera de um debate entre os dois principais que, infelizmente, não recebe a atenção necessária.

    A história acompanha Vasco Moscoso de Aragão, um comandante de longo curso que se muda para a pequena vila de Periperi, pois cansou da vida de marinheiro. Logo de cara, ele encanta os habitantes do local com suas histórias fantásticas e seu jeito romântico. No entanto, tudo começa a mudar quando o fiscal Chico Pacheco, até então o homem mais admirado da cidade, retorna de uma longa viagem. Após conhecer o famoso comandante, ele passa a desconfiar de sua influência e começa a investigar sobre a vida do forasteiro. A partir daí, a cidadezinha fica dividia e uma grande discórdia é instaurada onde antes imperava a tranquilidade.

    Para compensar os problemas, Wilker presenteia pela última vez o público com uma atuação divertida e segura. O filme se tornou uma verdadeira homenagem ao ator, que teve uma rica carreira no país, com papéis marcantes no cinema e na televisão. Bem a vontade no papel, o ator apresenta de maneira bem humorada todas as nuances de Chico Pacheco, principalmente o sarcasmo e a ironia, características típicas do personagem.

    Cansativo em alguns momentos, O Duelo é interessante o suficiente para justificar o preço do ingresso, principalmente por resgatar uma história de um dos maiores escritores do Brasil e por permitir que os admiradores de José Wilker façam sua despedida ao ator, que demonstra pela última vez suas qualidades como ator.

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