O ENGENHO DE ZÉ LINS

O ENGENHO DE ZÉ LINS

(O Engenho de Zé Lins)

2006 , 90 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 14/12/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Vladimir Carvalho

    Equipe técnica

    Roteiro: Vladimir Carvalho

    Produção: Eduardo Albergaria, Leonardo Edde

    Fotografia: Jacques Cheuiche, Lula Carvalho, Walter Carvalho

    Estúdio: Urca Filmes

  • Crítica

    14/12/2007 00h00

    Um menino observa uma encenação da crucificação de Cristo. Pequena dose de ficção, pretexto para o olhar curioso e impressionado do menino em relação ao mundo a ser descoberto. Assim, fresco e curioso é o olhar de Vladimir Carvalho sobre a vida e obra do escritor José Lins do Rego.

    Como que para provar sua tese e introduzir o público sobre a necessidade de resgatar a trajetória do Menino do Engenho (romance que deu a Zé Lins notoriedade), o documentarista pergunta a alguns jovens da cidade natal do escritor:
    - Você conhece José Lins do Rego? Não.
    - Você já leu alguma coisa de José Lins do Rego? Não.
    - Qual é o nome do seu colégio? José Lins do Rego.

    Com esse gancho, o diretor constrói um retrato apaixonado e carinhoso de um mundo que não existe mais, senão no imaginário e no registro literário. A infância daquele menino do Engenho Tapuá (Paraíba) é retomada durante toda a narrativa do filme, parecendo ser a chave para se entender o surgimento do universo de Zé Lins.

    O longa pontua os depoimentos dos moradores mais antigos, que viveram o começo da decadência do Engenho Tapuá, a belíssimas imagens do processo artesanal da confecção da rapadura. Também mostra e reconstrói o passado com cenas do filme O Menino do Engenho (1965), de Walter Lima Jr., e intervenções ficcionais.

    O próprio diretor se coloca como personagem, trazendo coincidências na história de ambos, conterrâneos que se mudaram da Paraíba e construíram suas vidas em outros Estados, o que não os impediu de manter aquele universo vivo e revisitá-lo em suas obras.

    José Lins do Rego, junto a outros escritores como Raquel de Queiroz, Ariano Suassuna, Gilberto Freyre, para citar alguns, fez parte de um efervescente período da literatura brasileira e nordestina, que ficou conhecido como o ciclo da cana-de-açúcar. Para entender o que eles representam para a cultura brasileira, o diretor traz à discussão sobre o homem Zé Lins depoimentos de amigos próximos e admiradores de sua obra, como os próprios Suassuna, Raquel de Queiroz e ainda Carlos Heitor Cony, Hélio de Mello e sua filha mais velha, Elizabeth.

    O documentário possui linguagem bem simples e familiar ao grande púbico, às vezes até didática, sem que isso prejudique seu ritmo fluído. A sensibilidade do diretor é refletida na mistura de recursos ficcionais a imagens de arquivos, fotografias, trechos de outros filmes e entrevistas. Até mesmo quando revela coisas mais íntimas da vida e personalidade de Zé Lins, Vladimir Carvalho não deixa a trama cair na euforia e melancolia latentes, como no depoimento de Tiago de Mello, poeta de quem o escritor foi guru, que encerra o filme. De forma tocante e sem pudores, Mello fala sem censura e detalhadamente sobre os últimos e dolorosos momentos antes da morte do amigo.

    "Um grande humanista que soube criar tipos humanos incríveis", diz Cony em seu depoimento. Esta, com certeza, é a chave de todo o documentário que incita o espectador, após assisti-lo, a ir para casa ler e se embrenhar no universo de Zé Lins.

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