O EQUILIBRISTA

O EQUILIBRISTA

(Man On Wire)

2008 , 94 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 30/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • James Marsh

    Equipe técnica

    Produção: Simon Chinn

    Fotografia: Igor Martinovic

    Trilha Sonora: J. Ralph

    Estúdio: British Broadcasting Corporation (BBC), Discovery Films

  • Crítica

    30/04/2009 00h00

    O Equilibrista é o maior fenômeno do gênero do ano passado; além do Oscar, o documentário abocanhou 25 prêmios em sua trajetória. Dirigido por James Marsh (que previamente dirigiu o fraco drama The King, lançado diretamente em DVD), O Equilibrista aproxima-se do estilo de Errol Morris (Procedimento Operacional Padrão) ao misturar cenas dramatizadas, depoimentos e imagens de arquivos para contar uma história real. No caso, do equilibrista do título, o francês Philippe Petit, que desde a juventude tinha o sonho de andar equilibrando-se num cabo de aço entre as duas Torres Gêmeas, desejo que surgiu antes mesmo delas serem construídas.

    Como um thriller, O Equilibrista desenvolve a história que seguiu o sonho de Petit, desde a concepção da ideia maluca até sua realização, para a qual conta com a ajuda de amigos. O protagonista do documentário é mostrado como um cara aparentemente maluco, mas muito consciente de seus planos. Ele sabe o que quer e como pretende chegar à conclusão de seus planos. Extremamente carismático e envolvente, Petit convence um grupo de amigos a participar com ele dessa sua jornada, que se torna uma verdadeira obsessão na medida em que Petit e os próprios envolvidos começam a encarar a missão como um verdadeiro crime do século.

    Com humor único, O Equilibrista desenvolve o acontecimento sobre o qual gira em torno, ocorrido em 1974, com suspense, numa narrativa interessante e única. Marsh constrói um clima envolvente e misterioso em cima dos acontecimentos, ao mesmo tempo em que traça um perfil psicológico de Petit, seu principal objeto de análise. Por meio da relação de amizade que se forma entre ele e seus comparsas ao longo da vida e, principalmente, seu maior objetivo como equilibrista - andar entre os prédios do World Trade Center -, O Equilibrista também aborda essa relação de amizade entre os que acompanharam de perto essa aventura de Petit. E mostra como o artista nunca soube lidar com a fama, que repentinamente chegou às alturas por conta de sua notoriedade ao se equilibrar por menos de uma hora entre as Torres Gêmeas, embora o feito fosse impossível sem a dedicação de seus companheiros, que se envolveram na empreitada pelo puro prazer de ajudar Petit a realizar esse sonho - resultado direto de seu extremo carisma.

    Por mais que mostre o desenvolvimento dessa verdadeira relação de amor e admiração entre o equilibrista francês e as Torres Gêmeas, Marsh escolhe jamais citar o principal evento relacionado ao World Trade Center, o atentado de 11 de setembro de 2001 que derrubou a construção, vista de forma tão imponente por Petit. De forma jamais anunciada, O Equilibrista faz uma espécie de contraponto: enquanto os terroristas viram na construção o símbolo de uma ideologia, o protagonista do documentário vê os prédios sob o olhar de um cavalheiro que quer domar e conquistar o dragão. Ou melhor, dois, no caso. Um diálogo mais relacionado ao carinho do que ao desejo de destruição.

    O Equilibrista é feito de elementos que dão sabor a qualquer longa de ficção: tem romance, suspense, humor, um tom de fábula. Talvez por isso seu sucesso, pela capacidade de envolver tão bem mesmo os espectadores não tão acostumados, ou mesmo apreciadores do gênero documental.

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