O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

(Le Scaphandre et le Papillon)

2007 , 112 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 04/07/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Julian Schnabel

    Equipe técnica

    Roteiro: Jean-Dominique Bauby, Ronald Harwood

    Produção: Jon Kilik, Kathleen Kennedy

    Fotografia: Juliette Welfling

    Trilha Sonora: Paul Cantelon

    Estúdio: Pathé Renn Productions

    Elenco

    Anne Consigny, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Mathieu Amalric, Niels Arestrup, Olatz López Garmendia, Patrick Chesnais

  • Crítica

    04/07/2008 00h00

    O Escafandro e a Borboleta é a versão cinematográfica do livro homônimo de Jean-Dominique Bauby, no qual o autor descreve seus pensamentos, lembranças e impressões após contrair a síndrome locked in, uma paralisia completa que somente deixa suas pálpebras livres. De repente, ele vira um legume, como ele mesmo descreve no longa.

    O livro é difícil, introspectivo, mas funciona junto ao leitor simplesmente porque a escrita é muito mais livre que o cinema. Eis que neste filme o diretor nova-iorquino Julian Schnabel (de trabalhos como Antes do Anoitecer e Basquiat - Traços de uma Vida) consegue o que parecia ser inimaginável: transformar o livro de Bayby num excelente longa-metragem.

    As primeiras imagens de O Escafandro e a Borboleta denotam a confusão de uma pessoa que acaba de acordar de um coma: imagens desfocadas, imagens e vozes de pessoas desconhecidas confundem o narrador, cuja voz é sempre exibida em off, já que, após o incidente que o coloca numa cama de hospital no litoral francês, ele só consegue se comunicar ao piscar o olho esquerdo. A direção não-convencional é mantida durante todo o longa, conduzindo o espectador pela mão por esse novo universo de Bauby.

    O protagonista é interpretado magistralmente por Mathieu Amalric. Originalmente, o papel seria oferecido a Johnny Depp, mas o cobiçado ator estava com a agenda cheia e preferiu filmar Piratas do Caribe - No Fim do Mundo. Sorte a nossa. Ao mesmo tempo em que Amalric está irreconhecível como o protagonista deste longa, é impossível imaginar outro ator no papel, mesmo Depp. Junto à direção de Schnabel - que transmite ao espectador com perfeição a angústia de Bauby fechado em seu escafandro (aquela roupa que os mergulhadores usavam antigamente, com capacete e tudo), como se imagina em suas muitas fantasias -, a atuação de Amalric completa o o drama, que traduz com emoção extrema o drama do personagem/ autor.

    A história de O Escafandro e a Borboleta poderia render um dramalhão como aqueles óbvios feitos para TV, mas passa longe da sedução óbvia por meio de imagens explicitamente tristes. Evidentemente, o longa não deixa de levar o público mais sensível às lágrimas descontroladas, mas é exatamente pela condução bem-sucedida de Schnabel. O diretor se arrisca, faz um filme pouco linear, que mistura imagens desfocadas às fantasias do protagonista, e tem como resultado um drama como poucos. Digno e emocionante de forma genuína.

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