O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA

(The Amazing Spider-Man)

2012 , 137 MIN.

10 anos

Gênero: Ação

Estréia: 06/07/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marc Webb

    Equipe técnica

    Roteiro: Alvin Sargent, James Vanderbilt, Steve Kloves

    Produção: Avi Arad, Laura Ziskin, Matthew Tolmach

    Fotografia: John Schwartzman

    Trilha Sonora: James Horner

    Estúdio: Columbia Pictures, Laura Ziskin Productions, Marvel Enterprises, Marvel Studios

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Amber Stevens, Andrea Sixtos, Andrew Garfield, Annie Parisse, Barbara Eve Harris, C. Thomas Howell, Campbell Scott, Charlie DePew, Chris Zylka, Denis Leary, Embeth Davidtz, Emma Stone, Eric Silver, Hannah Lloyd, Hannah Marks, Irrfan Khan, Jacob Rodier, JakeKeiffer, Kelsey Chow, Leif Gantvoort, Martin Sheen, Maury Morgan, Max Charles, Michael Massee, Miles Elliot, Patrick Alan Davis, Rhys Ifans, Sally Field, Skyler Gisondo, Stan Lee

  • Crítica

    03/07/2012 22h41

    Reiniciar uma franquia cinematográfica do zero cabe quando a intenção é ressuscitar personagens há muito desaparecidos da telona e apresentá-los com roupagem atual às novas gerações. Por isso causou surpresa a notícia de que a bem-sucedida franquia Homem-Aranha ganharia um novo começo nas telas. A decisão veio depois que os planos para um quarto filme azedaram por falta de entendimento entre a Sony e Sam Raimi, diretor dos três longas anteriores.

    Marc Webb, de 500 dias com Ela, assumiu a empreitada no lugar de Raimi e a história do herói aracnídeo ganhou um reboot e novo Peter Parker (Andrew Garfield) - mais confiante do que o anterior, uma espécie de nerd hype que anda de skate e não hesita em encarar o popular e valentão Flash Thompson, mesmo que isso signifique voltar pra casa com o olho roxo e alguns hematomas.

    Sim, era plenamente dispensável repassar a origem de tudo. Melhor seria começar o longa com o Aranha já estabelecido, trajando sua roupa colante vermelha e se dependurando nos arranha-céus de Nova York. Como voltamos ao início, o preâmbulo se arrasta de maneira um tanto enfadonha, porque ainda está fresca na cabeça de todos a introdução que mostra o antigo Parker (Tobey Maguire) assumindo a identidade do herói. No entanto, passada a abertura, O Espetacular Homem-Aranha engrena e brinda o público com aquilo que ele quer ver: o cabeça de teia em ação.

    A história todos conhecem: o jovem Peter é um estudante rejeitado por colegas, abandonado por seus pais e criado pelos tios. Nesta versão ele descobre uma misteriosa maleta e inicia uma jornada para entender o porquê do desaparecimento da mãe e do pai. Buscando respostas e uma conexão entre as pistas, cruza o caminho de um antigo companheiro de pesquisas de seu pai, o dr. Connors (Rhys Ifans), que também é o vilão do filme ao se transformar num hibrido de homem e réptil chamado Lagarto.

    Vítima da picada que lhe dá superpoderes, o agora Homem-Aranha tem de moldar seu destino como herói enquanto, paralelamente, vive sua primeira paixão por Gwen Stacy (Emma Stone) e lida com os compromissos, segredos e dilemas que envolvem a vida de um super-herói. Drama pessoal que ganha nova dimensão neste novo longa, repleto de cenas dramáticas e tensas que exploram a questão do abandono com profundidade emocional ausente nos filmes anteriores.

    O Espetacular Homem-Aranha também destaca com mais ênfase a personalidade nerd e o espírito cientista do personagem. Essas características ficaram em segundo plano nas versões anteriores, apesar de serem prioridade nas HQs. As poses do personagem, semelhantes às das revistas, são outro ponto positivo desta produção. Como o roteiro foi escrito levando em consideração a captação das cenas em 3D, a tecnologia aqui é bem aplicada tanto para explorar a movimentação do herói como para enfatizar as tensões emocionais do personagem, que ganham destaque com a profundidade de campo.

    Na criação desse novo Aranha, Webb é auxiliado por um excelente desempenho de Andrew Garfield, que traz personalidade e veracidade para Parker, algo às vezes difícil de alcançar dada a realidade de exigências, muitas vezes absurdas, das tramas envolvendo super-heróis. Contribui para essa identificação com o personagem a exploração de suas fraquezas. Aqui o Homem-Aranha comete erros, se machuca bastante a cada ação e conta com a ajuda - muitas vezes imprescindível - dos simples mortais à sua volta. Ao invés da teias orgânicas que se originam do próprio pulso, desenvolve um lançador de teia retornando às origens da história em quadrinhos.

    Todo herói precisa de um grande vilão e Rhys Ifans manda bem como o geneticista Dr. Curtis Connors. O ator dá alma ao personagem atormentado pela mutilação de um braço e a ligação com Peter, filho de seu colega de pesquisas do passado. Tudo isso se perde quando ele se transforma no vilão computadorizado Lagarto. Para conferir expressão humana à criatura, foram capturadas as expressões faciais de Ifans, mas o fato é que o vilão fica anos-luz do excelente Octopus vivido por Alfred Molina no segundo filme da franquia.

    Como a série ganhou um novo começo tão precoce, serão inevitáveis as comparações. Há os que vão gostar mais desta versão e outros saudosos de Tobey Maguire no papel de Homem-Aranha. Preferências de lado, o fato é que Webb leva às telas um bom filme do herói com bastante ação, emoção, pirotecnia e uma ambientação moderna que vai agradar aos fãs. O interessante é notar que justamente por explorar bem as tensões emocionais dos personagens, O Espetacular Homem-Aranha fique menos surpreendente no seu quarto final, quando o computadorizado Lagarto faz seu estrago. Prova de que hardwares ainda não são locais ideais para se produzir sentimentos.

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