O EXERCÍCIO DO CAOS

O EXERCÍCIO DO CAOS

(O Exercício do Caos)

2012 , 72 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/11/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Frederico Machado

    Equipe técnica

    Roteiro: Frederico Machado

    Produção: Frederico Machado

    Fotografia: Frederico Machado

    Trilha Sonora: Joaquim Santos

    Estúdio: Lume Produções

    Montador: André Garros, Raimo Benedetti

    Distribuidora: Lume Filmes

    Elenco

    Auro Juriciê, Di Ramalho, Elza Gonçalves, Isabella Dousa, Thainá Sousa, Thalita Sousa

  • Crítica

    05/11/2013 19h00

    Sou um entusiasta do cinema de guerrilha, mas não sou condescendente com filmes que driblam as probabilidades e falta de dinheiro e surgem do desejo de um abnegado em fazer arte. Muita coisa boa brota dessas empreitadas homéricas é verdade, mas muita porcaria também.

    O Exercício do Caos, felizmente, é cinema de guerrilha de boa qualidade. O faz-tudo cinematográfico Frederico Machado filmou com poucos recursos, de forma pressurosa, assumiu muitas funções. Em suma, passou pelos maus bocados de quem faz cinema sem apoio. Mas o resultado de seu esforço, somado a seu talento (porque só boa vontade não basta), converteu-se numa obra interessante.

    Em primeiro lugar trata-se de um filme que propõe um diálogo com o espectador ao invés de ignorá-lo. Parece óbvio, mas o fato é que muito realizador cheio de pretensões e "ideias geniais" costuma esquecer-se de quem estará diante da tela. Mas não se trata de uma comunicação de mão única onde o autor entrega tudo em bandeja de prata, embrulhado em papel celofane e com lacinho de fita vermelha.

    O Exercício do Caos não é para espectador impassível, desses que sentam na poltrona e esperam ser servidos de ideias e opiniões prontas. O longa exige cérebro em funcionamento, mente trabalhando, esforço intelectual. Se houver disposição de quem vê a energia cognitiva não será gasta em vão. E, sei bem disso, não há nada pior do que passar minutos a fio se esforçando para embarcar e compreender uma trama e descobri-la um grande engodo ao final.

    O filme nos leva para uma região rural do Maranhão. Num pequeno casebre moram um homem e suas três filhas. Eles vivem de uma plantação de mandioca, que transformam artesanalmente em farinha. Desde os primeiros minutos de projeção notamos que há certa tensão no ar, aflição evidenciada pelo silêncio (neste caso, verdadeiramente eloquente) e pela trilha sonora de suspense.

    Aos poucos essa inquietação vai se revelando para o público em detalhes sutis. E o que começa a surgir daí é uma trama que mistura fantasia e realidade, desejos proibidos e mistério. Nada é óbvio, mas tudo apresentado de maneira instigante, o que impede o distanciamento entre filme e espectador.

    Não vou detalhar mais o enredo porque corro o risco de entregar o que não deveria. Se o autor não o fez não serei eu a fazê-lo. Talvez falte a O Exercício do Caos um desfecho mais condizente com o clima de tensão e terror psicológico que estabelece desde seu início, mas certamente não faltam os elementos fundamentais do bom cinema, seja ele de guerrilha ou não.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus