O FILME DOS ESPÍRITOS

O FILME DOS ESPÍRITOS

(O Filme dos Espíritos)

2011 , 101 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 07/10/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • André Marouço, Michel Dubret

    Equipe técnica

    Roteiro: André Marouço

    Produção: André Marouço

    Estúdio: Mundo Maior Filmes

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Alethea Miranda, Ana Rosa, Briza Menezes, Ênio Golçalves, Etty Fraser, Luciana Gimenez, Nelson Xavier, Reinaldo Rodrigues, Sandra Corveloni

  • Crítica

    03/10/2011 21h03

    Começo este texto com a mesma advertência que usei na crítica de Nosso Lar: este texto visa apenas analisar os aspectos cinematográficos do longa O Filme dos Espíritos, sem nenhuma intenção de discutir sua crença. Digo isso porque é muito comum as pessoas confundirem o “não gostar de um filme sobre Espiritismo” com ataques à filosofia Espírita como um todo. Aqui, um site de cinema, trataremos única e exclusivamente do filme.

    Havia uma certa curiosidade em relação a esta adaptação. Afinal, O Livro dos Espíritos, enquanto obra literária, é um grande questionário que lança as bases do pensamento Espírita. Não há uma trama, nem personagens a serem adaptados. Não há antagonistas e protagonistas; não há, enfim, dramaturgia. Neste aspecto, o roteiro de André Marouço (também produtor e codiretor do filme, ao lado de Michel Dubret) saiu-se com uma boa solução: criar uma série de situações e personagens, que não estão no livro, que tivessem dúvidas semelhantes às que, estas sim, constam na obra de Allan Kardec.

    Quase tudo é centralizado em Bruno, um homem amargurado que não consegue entender por que Deus levou sua esposa tão jovem. Desesperado, ele se entrega ao alcoolismo, ao mesmo tempo em que se envolve com um ex-professor que tentará lhe ajudar. É no entrelaçamento destes e de outros personagens secundários que se agregarão à trama que as perguntas e respostas do O Filme dos Espíritos serão desenvolvidas.

    Resolvida a questão do roteiro, surge o problema da direção. E é neste ponto que o filme escorrega. Assim como já aconteceu em Bezerra de Menezes, Nosso Lar e As Mães de Chico Xavier, o estilo de direção adotado em O Filme dos Espíritos se reveste de um caráter solene que afasta os personagens da narrativa realista. É uma espécie de vício que Hollywood cometia muito nos anos 50, nos filmes épicos.

    Traçando um paralelo: quando o cinema americano queria retratar o Império Romano, os atores falavam, se moviam e se portavam como lordes britânicos engessados em sua togas, como que querendo demonstrar a imponência daquele período. O mesmo tem acontecido com os filmes de temática espírita (à exceção de Chico Xavier): recorrentes vícios de direção e interpretação tornam os personagens solenes e discursivos, longe da realidade, como se cada frase do filme viesse revestida da mais pura verdade absoluta.

    É uma tentativa de ser didático e – pior – catequético – que comete o pecado de criar um abismo entre tela e plateia. Consequentemente, o filme tende a ser aceito pelos seguidores da doutrina, e rejeitado pelos não seguidores, sem conseguir saudáveis meios termos.

    Como resultado O Filme dos Espíritos, ainda que tecnicamente coreto, acaba deixando um sabor de propaganda institucional, seja da doutrina Espírita, seja das Casas André Luiz, entidade diretamente ligada à produção.

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