O GAROTO DA BICICLETA

O GAROTO DA BICICLETA

(Le gamin au vélo)

2011 , 87 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 18/11/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Equipe técnica

    Roteiro: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Produção: Denis Freyd, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Fotografia: Alain Marcoen

    Estúdio: Les Films du Fleuve

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Batiste Sornin, Bilal Covino, Carl Jadot, Cécile De France, Charles Monnoyer, Claudy Delfosse, Egon Di Mateo, Fabrizio Rongione, Frédéric Dussenne, Hicham Slaoui, Jasser Jaafari, Jean-Michel Balthazar, Jérémie Renier, Jérémie Segard, Lara Persain, Laurent Caron, Michèle Romus, Mireille Bailly, Mourad Maimuni, Myriem Akeddiou, Neda Luga, Olivier Gourmet, Romain Clavareau, Sabrina Mastratisi, Samuel De Rijk, Sandra Raco, Selma Alaoui, Thomas Doret, Valentin Jacob, Youssef Tiberkanine

  • Crítica

    16/11/2011 18h20

    O Garoto da Bicicleta, nova realização dos Irmãos Dardenne (O Silêncio de Lorna, A Criança), seria um grande filme se não decidisse adotar um discurso moralista (jornada de aprendizado do herói), artimanha que passa a ser notada na parte final e fica explícita na sequência derradeira, cujo didatismo é irritante e não condiz com a qualidade do que fora narrado até então.

    Afora esse desfecho escorregadio, vê-se no vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes deste ano uma maravilhosa encenação sobre a prisão e a liberdade, o isolamento e a socialização, o pertencer e o marginalizar-se.

    O Garoto da Bicicleta tem a sensibilidade de apresentar os dilemas dos personagens sem nos incentivar ao julgamento ou à condenação – o abandono e o medo que dele surge é o principal. Até mesmo o pai que renega o filho tem suas razões. Todos nós temos nossos motivos, justificativa que, todavia, não torna nossos atos menos daninhos.

    É isso que também está em jogo em O Garoto da Bicicleta: o daninho dos nossos atos, estejamos conscientes dos efeitos ou não.

    A infância é novamente o centro das atenções dos Dardenne. O menino Cyril (Thomas Doret em ótima performance já na estreia) liga desesperadamente para seu pai, mas ninguém atende. Com o tempo, sabemos que Cyril foi deixado provisoriamente em um orfanato por seu pai (Jérémie Renier, ator alçado pelos Dardenne em A Promessa) que desapareceu do mapa. A única esperança do garoto com o mundo real está na sua bicicleta, que a cabeleireira da pequena cidade (Cécile de France, de Além da Vida) recupera.

    Entrando no labirinto proposto pelo filme, descobriremos quem é o pai irresponsável, a cabeleireira que aceita cuidar do menino nos fins de semana e a dor de Cyril.

    A bicicleta é o gesto de liberdade de um garoto que não foi ensinado a expressar sentimentos. Cyril é instintivo como um animal irracional. Não à toa, ganha o malicioso apelido de Pit bull. Enquanto um adulto equilibrado usa a palavra para lutar, o confuso menino morde – e isso não é figura de linguagem. Qualquer presença indesejada que se acerque é mordida.

    Quando o desespero se apodera dele, Cyril age como um cachorro. Quando a cabeleireira, sua guardiã, lhe oferece um cego afeto, ele verbaliza – mesmo que pelo choro. A construção de cada detalhe pelos Dardenne é mais que cuidadosa, do lençol que envolve o garoto como uma camisa de força às pedaladas desordenadas na entrada do orfanato.

    São esses detalhes na encenação que colocam O Garoto da Bicicleta acima de outros filmes sobre infância problemática – por exemplo, o recente francês Feliz que Minha Mãe Esteja Viva. Pena que seu final não reflita o tamanho da qualidade do restante do filme.

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