Pôster do filme O Gênio e o Louco

O GÊNIO E O LOUCO

(The Professor and the Madman)

2018 , 120 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 18/04/2019

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    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Farhad Safinia

    Equipe técnica

    Roteiro: Farhad Safinia, John Boorman, Simon Winchester, Todd Komarnicki

    Produção: Bruce Davey, Gaston Pavlovich, Léonard Glowinski, Macdara Kelleher, Mel Gibson

    Fotografia: Kasper Tuxen

    Trilha Sonora: Bear McCreary

    Estúdio: 22h22, Fastnet Films, Icon Entertainment International

    Montador: Dino Jonsäter, John Gilbert

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Adam Fergus, Aidan McArdle, Brendan Patricks, Brian Fortune, Bryan Murray, Bryan Quinn, Christopher Maleki, David Crowley, Ioan Gruffudd, Jennifer Ehle, Jeremy Irvine, Kieran O'Reilly, Malcolm Freeman, Mel Gibson, Natalie Dormer, Oengus MacNamara, Ronan O'Connor, Sean Duggan, Sean Penn, Steve Gunn

  • Crítica

    22/04/2019 14h02

    Por Sara Cerqueira

    Baseado na obra de Simon Winchester, o filme dirigido pelo iraniano-americano Farhad Safinia é um caixinha de surpresas. Nos primeiros quarenta minutos, presenciamos uma narrativa arrastada e um roteiro com grande dificuldade em manter o foco nos núcleos de personagens tão distintos, interpretados pelos monstros consagrados Mel Gibson e Sean Penn. Além disso, a presença insistente de subtramas fracas atravancava um filme que parecia se equilibrar delicadamente na corda bamba.

    Mas não há nada melhor que se surpreender positivamente e presenciar a ascensão de uma trama que parecia fadada à mediocridade.

    No século XIX, dois homens de personalidades e histórias totalmente diferentes unem esforços para construir um dos maiores marcos para a história ocidental da filologia e etimologia: o primeiro dicionário Oxford. James Murray (Mel Gibson) reúne uma junta de pesquisadores e acadêmicos para buscar o maior número de verbetes possíveis e a etimologia deles.

    Enfrentando inúmeros desafios e entraves no projeto, a equipe recebe a contribuição inesperada de William Minor (Sean Penn), um médico do exército americano internado em um manicômio judicial. Acometido pela genialidade e pela loucura, Minor se torna parte da vida e do trabalho de Murray, e os dois desenvolvem uma comovente e improvável amizade.

    A abordagem de um trabalho acadêmico extenso poderia ser por si só um grande entrave para conquistar a grande massa do público espectador. Os inúmeros problemas envolvendo a produção e direção da obra também contribuíram para seu primeiro ato perdido e morno; com o início de filmagens em 2016, o longa colecionou em três anos desde processos envolvendo direitos autorais à insatisfação de Mel Gibson e Farhad Safinia, que se diziam descontentes com o trabalho final. Tais dificuldades por certo tiveram peso no filme, que sofre para se manter lógico e constante na exposição de personagens e seus respectivos dramas. Entretanto, a força incontrolável do cast escolhido a dedo para os papéis consegue não somente manter o roteiro congruente mas também extremamente envolvente e emocionante.

    O trabalho de Mel Gibson e Sean Penn é estupendo. Gibson se torna irreconhecível como um homem apaixonado pelas palavras, mas preso a entraves burocráticos e às próprias limitações diante de um desafio que parece impossível. Com um sotaque britânico natural e aparência menos intimidante, o ator mais uma vez mostra a qualidade de seu trabalho como ator, além de suas habilidades inquestionáveis como roteirista e diretor que já conhecemos.

    No entanto, quem mais marca a película é o norte-americano Sean Penn. Ganhador de dois Oscars de Melhor Ator, Sobre Meninos E Lobos (2004) e Milk - A Voz Da Igualdade (2009), ele chega aqui no apogeu de sua carreira em um papel de pura entrega à dor, genialidade e loucura. É quase desconcertante vê-lo em cena e, se há ainda alguma lógica na academia, sua interpretação certamente irá lhe garantir um lugar no Oscar 2020 e, apesar de ser cedo ainda para dizer, a terceira estatueta.

    Destaque para o trabalho de Natalie Dormer, responsável por injetar o amor e sensibilidade retratados na obra, Stephen Dillane, por simbolizar o lado mais humano e menos estereotipado da ciência e Eddie Marsan, que guia a perspectiva do público de maneira contida, mas envolvente.

    Mesmo com seus deslizes, O Gênio e o Louco têm muito a dizer e a despertar no espectador. Com um trabalho de elenco deslumbrante e uma história mais que digna de ser contada, a obra nos toca e nos prova que um filme valoroso pode ter sim suas falhas. Nos cabe apreciar o que há de melhor nele.

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